"Uma honra!" A resposta sai pronta e com um sorriso a condizer. Cerca de 15 horas depois de ter entrado no Estádio Olímpico, com a bandeira nacional, à frente da comitiva de atletas portugueses, Telma Monteiro continua a sorrir sempre que se recorda desse momento especial da cerimónia de abertura dos Jogos de 2012.

Os jornalistas querem saber se ela não se terá fatigado de forma irremediável para os combates que vai enfrentar dentro de 36 horas, perguntam-lhe se não terá havido alguma imprudência em vésperas de um momento decisivo da sua carreira. Telma Monteiro sorri. "Isto foi tudo muito bem ponderado e preparado. Não terá qualquer influência na minha preparação."

Percebe-se, acima de tudo, que viveu um momento inesquecível com aquela volta à pista do Estádio Olímpico. Aliás bem sublinhado no momento em que, após entregar a bandeira, se virou para o público, levantou o cachecol com as cores de Portugal e abriu bem os braços, num grito profundo.

"Foi para tentar puxar pelo público, gritei por Portugal e tentei que eles nos dessem força", explicou hoje aos jornalistas.

No seu horizonte, no entanto, está já a sucessão de combates que espera enfrentar ao longo da próxima segunda-feira, 30, no imenso ExCel, o centro de exposições agora adaptado para diversas modalidades desportivas. O sorteio ditou-lhe a norte-americana Marti Malloy como primeira adversária. E é com ela que Telma se preocupa, apesar de sempre lhe ter ganho em todas as ocasiões anteriores e estar bastante lugares à sua frente no ranking. "A minha postura é sempre a mesma. Cada combate é uma final. E vou entrar para ganhar em todos os combates que tiver que fazer."

E só espera que seja um dia longo, com eliminatórias de manhã e combates finais à tarde para atribuição das medalhas. Mas, após quatro anos de treino intenso e a alegria imensa de ter transportado a bandeira nacional, Telma Monteiro já sabe como acordará nesse dia: "Sei que vou pensar: acredita que és capaz".