Tecnologia: O ano da invasão  dos sensores ligados  à internet
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No ano que agora termina, foram poucos os "exploradores" que conseguiram ver o mundo através dos óculos da Google. Os Glass gravam vídeo, tiram fotos e permitem que partilhe essa informação com quem quiser. Mas este gadget faz muito mais. Assim que se começa a utilizar a Realidade Aumentada (a sobreposição em tempo real de informação gráfica contextual sobre a imagem), estes óculos podem guiar um cirurgião durante uma operação ou um operário fabril que tem de efetuar uma reparação numa máquina da linha de montagem. Tudo isto com o auxílio de comandos de voz e com a possibilidade, entre outras, de fazer videoconferência.A segunda versão dos Glass chega já no início de 2014. Tem em consideração os que usam lentes graduadas e a Google introduz algumas melhorias no desempenho e nas funcionalidades - a possibilidade de partilhar vídeo diretamente para o YouTube, por exemplo. No entanto, o acesso a este gadget continua a ser restrito. A empresa norte-americana autorizou a que cada um dos primeiros utilizadores possa convidar três amigos para entraram no programa; e a empresa está a planear o lançamento para o público em geral, em 2014, dos óculos que, agora, custam 1500 dólares (cerca de 1100 euros). No entanto, por cá, os Glass só em 2015 é que devem dar um ar da sua graça nas lojas. 

A Internet das Coisas

O Internet Of Things é uma das mais importantes tendências tecnológicas para 2014. A ligação à internet de milhões de dispositivos que nos rodeiam promove a comunicação máquina a máquina (na qual não temos nenhuma intervenção) e desencadeia ações automaticamente. O Scanadu, por exemplo, é um pequeno dispositivo equipado com sensores que consegue, em segundos, medir dados vitais, passá-los para uma aplicação que está no smartphone e, automaticamente, gerar alertas para o médico de família. Em Portugal, o Lapa é um pequeno sensor que pode ser colado à sua carteira ou, por exemplo, às chaves do carro. Por Bluetooth, o sensor envia sinais para o telemóvel para que possa encontrar os objetos referenciados. O projeto português já conseguiu financiamento num dos serviços de crowdfunding mais populares do momento.  

Os automóveis são outro dos ecossistemas que vai "estar ligado" com maior frequência. Tudo vai ser medido e registado. O resultado, espera-se, vai dar origem a conduções mais amigas do ambiente e mais seguras. Tudo isto, claro, também pode vir a ser fornecido às seguradoras e à polícia em caso de acidente para poder apurar-se, de forma mais credível, as responsabilidades. 

Este ano chegou a primeira impressora 3D feita em Portugal e a preço "acessível". A Beethefirst, da Beeverycreative, é fabricada em Aveiro e é montada, após a compra, pelo próprio utilizador em casa. Qualquer um pode fazê-lo e, depois, é só ligá-la ao computador e começar a desenhar os seus próprios artigos. Seja um candeeiro, um brinquedo ou um parafuso. Com a impressão 3D, os limites são mesmo os da sua imaginação. A previsão é que 2014 assista a uma proliferação deste tipo de dispositivo assim que os grandes fabricantes apostem na sua massificação. Como sempre, em tecnologia, a disponibilização de mais equipamentos vai provocar uma consequente baixa de preço. Espera-se que, do lado das aplicações, o ecossistema venha a disponibilizar centenas de modelos que possam, muitos de forma gratuita, ser descarregados da internet para que os que não dominam as ferramentas de desenho consigam imprimir os objetos de que necessitam.

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Ecrãs curvos e flexíveis

Depois da LG e da Samsung terem lançado os primeiros smartphones e televisores com ecrã curvo, espera-se que 2014 abra a porta para que outros fabricantes entrem no segmento e tragam a inovação esperada. Neste momento, por cá, ainda só está disponível um modelo de televisor curvo, mas é já no primeiro trimestre que chega mais um ecrã deste tipo. 

Durante os primeiros seis meses espera-se que o primeiro smartphone de ecrã curvo esteja disponível nas lojas nacionais. É preciso perceber que esta inovação tecnológica não tem, ainda, valor acrescentado significativo. A curvatura do ecrã no televisor deve, supostamente, criar uma maior sensação de imersão - algo semelhante à experiência que existe numa sala de cinema. Para isso, os televisores devem ter ecrãs de grande dimensão (algures acima das 60 polegadas). O que ainda não acontece. Nos smartphones, os ecrãs curvos têm maior pertinência. A curvatura no chassis permite, em teoria, que a ergonomia do dispositivo seja bastante melhorada, porque vai ajustar-se melhor à forma da mão. Mas isso só vai ser possível comprovar durante o ano que agora começa.

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