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O general que desprezou o medo

Visão História

Edição 27 da VISÃO História, dedicada aos 50 anos do assassínio de Humberto Delgado

Nas quatro décadas que durou, nunca o poder de Salazar se viu tão abalado como na primavera de 1958, quando um general que até então colaborara com o regime (negociara a concessão das bases dos Açores, fundara a TAP e fora chefe de missão nos EUA) tomou a resolução de concorrer à Presidência da República, com apoio da oposição, e se atreveu a prometer que, se fosse eleito, demitiria "obviamente" o ditador. As palavras de Humberto Delgado, bem como a sua atitude corajosa e confiante, calaram fundo no coração de milhões de portugueses, que se esqueceram dos receios recalcados e vieram para a rua manifestar o seu apoio ao homem que encarnava a esperança.

Mas o resultado da eleição estava escrito desde o início.

Recorrendo à sua esmagadora máquina repressiva proibição de comícios e de acesso à TV, cargas policiais, denúncias, intimidações, prisões, censura à imprensa... o regime "atribuiu " a vitória ao seu apagado candidato, almirante Américo Tomás, cuja principal característica era a cega fidelidade.

Posteriormente afastado das Forças Armadas, exilado no Brasil e na Argélia, Delgado jamais deixaria de conspirar contra a ditadura, aparecendo aos olhos do mundo como o maior inimigo de Salazar.

Há exatamente meio século, a 13 de fevereiro de 1965, uma brigada da PIDE atraía a uma cilada o General sem Medo e espancava-o até à morte, num gélido plaino abandonado que a brisa da memória aquece. É a história da vida e da morte deste homem-símbolo da oposição à ditadura que neste número se evoca.

Sumário

Imagens

Perfil - O homem que desafiou Salazar

II Guerra Mundial - Ao serviço da causa aliada

EUA - Os ares da América do Norte

Aviação - Era uma vez a TAP

Opinião - 'Eles vão destruir-te, Humberto', Por Frederico Delgado Rosa

Campanha Presidencial - 'Vamos ganhar as eleições'

Testemunhos - Maria Antónia Fiadeiro, Maria Antónia Palla, Artur Santos Silva

Imprensa - Obviamente censurado

Asilo - O prisioneiro da embaixada

Brasil - As amarguras do exílio

Clandestino - Viagem secreta a Portugal

Opinião - A PIDE atrás de Delgado, Por Irene Flunser Pimentel

Assassínio - Encontro com a morte

Imprensa - Outono à volta do mundo

Julgamento - Fez-se justiça?

Opinião . O Processo Delgado perante o tribunal português, Por António Santos Carvalho

Entrevista - Mário Soares

Cartas - Contra a repressão