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O 28 de Maio e a ascensão de Salazar

Visão História

Novo número da VISÃO História está nas bancas esta semana, fazendo luz sobre um dos períodos mais conturbados e obscuros da História recente de Portugal

A 28 de maio, cumprem-se 90 anos sobre uma data que marcou de forma indelével o nosso presente: o golpe militar de 1926. Seria o fim da I República e o começo de uma ditadura militar, a que se seguiria, em 1933, o Estado Novo.
É esse período que daria origem a uma ditadura de 48 anos (que só terminou com o 25 de Abril) que o número da VISÃO História agora nas bancas analisa. O que se passou, de facto, em Portugal entre 1923 e 1932? Qual era a situação política nos últimos anos da República? Como foi executada a operação militar do próprio 28 de maio, um dia que afinal durou dez dias? Como é que no espaço de dois meses Portugal teve três Presidentes? O que proibiram os militares quando chegaram ao Poder? Quem é que o novo regime deportou, exilou e julgou em tribunais militares especiais? Como foram os anos da ditadura militar? E como é que Salazar, vindo de Coimbra para o Ministério das Finanças, foi ganhando poder, até se tornar, no final de 1932, chefe do governo? Quem fez frente à sua ascensão e saiu vencido? Qual foi, de facto, o seu papel no equilíbrio das contas públicas? E quem continuou a lutar, pegando em armas, para que fosse instaurada de novo o regime constitucional de 1911?
Se não o encontrar nas bancas – ou se desejar assinar a revista –, contacte o serviço ao cliente através do telefone 21 469 88 01 ou de www.assineja.pt.

SUMÁRIO

Cronologia: dez anos de agitação

Adeus ilusões «O meu propósito é ir contra a ação nefasta de todos os políticos e dos partidos e de pôr fim a uma ditadura de políticos irresponsáveis», disse o general Gomes da Costa em junho de 1926. Por Luís Farinha

Um complicado puzzle político O espetro partidário desfeito pelo «28 de Maio» refletia as inquietações e as contradições do tempo. Por Luís Bigotte Chorão

Infografia: o mapa possível dos partidos e das organizações

A ‘Revolta dos Generais’ abala Lisboa A tentativa de golpe militar contra a I República, em 19 de abril de 1925, foi contida pelas forçais leais ao Governo constitucional, mas verificar-se-ia depois que não passou de um ensaio para o «28 de Maio» do ano seguinte. Por Ricardo Silva

Os sargentos atacam de Almada Derrotada a «cabeçada» de Mendes Cabeçadas, seguiu-se, em 2 de fevereiro de 1926, nova tentativa de golpe, liderada pelos subalternos de Escola Prática de Artilharia, de Vendas Novas. Por Ricardo Silva

’28 de Maio’, o dia que durou dez dias Desta vez não chegou a haver tiros, mas o golpe que inaugurou uma ditadura de 48 anos teve todos os ingredientes de guerra civil, num choque entre comandantes e respetivas conceções políticas. Por Ricardo Silva

Apogeu e queda do general de maio Gomes da Costa enterrou as ilusões regeneradoras de Cabeçadas e de muitos republicanos, mas acabaria apeado por Carmona depois de durante dias ter transformado o País num quartel. Por Ricardo Silva

‘Visado pela Comissão de Censura’ A liberdade de imprensa desapareceu logo em 24 de junho de 1925, menos de um mês após o golpe. Por Joaquim Cardoso Gomes

A ‘vida boa’ contra a ‘boa vida’ Para atenuar os efeitos da moralização imposta, o teatro de revista apostou na estética modernista e no luxo dos cenários e dos adereços. Por Pedro Caldeira Rodrigues

Fado estabilizado e profissionalizado A lei ditatorial que passou a regulamentar os espetáculos fez nascer as casas de fado e cavou um fossos social entre fadistas e público. Por Pedro Caldeira Rodrigues

A lenta morte do sindicalismo independente O golpe militar cortou as asas a um movimento laboral já dividido entre três correntes, e a criação dos «sindicatos nacionais» representou a machadada final. Por António Ventura

Uma justiça política de exceção A Ditadura Militar (como depois o Estado Novo) sustentava que existia «liberdade de pensamento», mas criou Tribunais Militares Especiais destinados a punir os seus opositores ativos. Por Irene Flunser Pimentel

Os Açores na rota dos presos políticos O arquipélago atlântico serviu de local de deportação. Por Sérgio Rezendes

Esperanças e desilusões no exílio Começou logo em 1926 o calvário dos oposicionistas expatriados, fugazmente animado pela implantação da II República em Espanha. Por Susana Martins

Homem-Christo Filho, o ilustre proscrito Aquele que é por muitos considerado o único verdadeiro fascista português teve uma vida breve mas faustosa, trepidante, preenchida e aventurosa. Por Rita Almeida de Carvalho

‘Pela direita é que passa a ser o caminho’ Em 1928, Portugal aprovou o seu primeiro Código da Estrada. Mas o estado das vias e o défice educativo dos cidadãos comprometeram os efeitos positivos da medida. Por Luís Farinha

As finanças da revolução e a revolução nas finanças Os «heróis» da estabilização financeira de 1922-1931 foram dois militares republicanos esquecidos, um militar revolucionário mal-amado e um civil. Por Nuno Valério

A ascensão de Salazar Para a transformação da Ditadura Militar numa ditadura nacionalista capaz de «reconciliar o Estado com a nação», o poderoso ministro das Finanças contou com o apoio decisivo do Presidente da República, Óscar Carmona. Por Filipe Ribeiro de Menezes

Ditador das Finanças e fundador do ‘império’ Foi decisivo o papel de Salazar na captação para a Ditadura da burguesia metropolitana, oferecendo-lhe um império. Por Ana Catarina Pinto

Ivens Ferraz, ‘à ponta da corda, do lado da República’ O presidente Carmona arbitrou o conflito de 1929-1930, entre o chefe do Governo e o ministro das Finaças, a favor do segundo, Salazar. E asism foi enterrado o projeto de regresso à República liberal. Por Ana Catarina Pinto

Uma pequena guerra civil Entre 3 e 9 de fevereiro de 1927 ocorreu a primeira tentativa de derrube da ditadura instalada oito meses antes, envolvendo civis e militares em larga escala. Os sublevados do Porto nunca deixariam de acusar Lisboa de não se ter erguido a tempo, num movimento coordenado. Por Luís Almeida Martins

A efémera Atlântida Em 1931, cinco anos depois do «28 de Maio», a Madeira chegou a libertar-se da ditadura. Mas seria a última grande tentativa de inverter a situação antes da institucionalização do Estado Novo. Por Luís Almeida Martins