Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Refugiados na Europa no século XX

Visão História

Já está nas bancas mais uma edição da VISÃO História, que proporciona um olhar histórico sobre um problema atual

A foto da capa da VISÃO História, esta semana posta à venda, traz-nos à memória as imagens que temos visto com frequência desde o último verão. A situação é a mesma – pessoas em fuga, usando os trilhos dos caminhos de ferro como ‘caminho’ –, mas 70 anos separam as imagens de alemães da Polónia tentando chegar a Berlim e as dos sírios entrando a pé na Europa. A II Guerra Mundial provocou a maior catástrofe humanitária de sempre: 46 milhões de deslocados, entre 1939 e 1948. Portugal, recorda a historiadora Irene Flunser Pimentel nesta edição, foi um país de salvação para milhares de judeus. Outra historiadora, Margarida Magalhães Ramalho, conta como os refugiados foram recebidos de braços abertos na Figueira da Foz, Ericeira e Curia, entre outros locais.

Com um tema tão antigo quanto a própria Humanidade, a VISÃO História centrou a atenção na Europa e no século XX, publicando um número que conta também com a colaboração do único português que foi secretário-geral adjunto da ONU, Victor Ângelo.

Se não encontrar a revista nas bancas, encomende-a através do telefone 21 469 88 01 ou do site assineja.pt

SUMÁRIO

Da Europa, com fervor Entre os séculos XVI e XVIII, muitos milhares de europeus perseguidos por delitos de consciência foram proscritos do seu continente. Instalados em terras distantes, construíram prolongamentos da Europa e universalizatam a cultura a que chamamos «ocidental». Por Luís Almeida Martins

Nós e as nossas migrações A Europa entrou no século XXI com uma ideia reduzida e distorcida dos fenómenos passados das migrações e dos refugiados. Perdeu, pois, o sentido da sua própria História. Por Victor Ângelo

Bóer sorte Os refugiados sul-africanos chegaram a Portugal em 1901. Vinham de uma guerra sangrenta, para um país desconhecido. Boa parte esteve mais de um ano nas Caldas da Rainha. Chegaram como internos, partiram como amigos. Por Luís Pedro Cabral

A outra trincheira Também as populações civis mais frágeis e desprotegidas combateram, embora desarmadas, na I Guerra Mundial - fugindo da boca dos canhões, muitas vezes sem bagagem, rumo a um futuro incerto. Por Luís Almeida Martins

Arménios, o primeiro genocídio A perseguição e o extermínio dde que foram alvo no império otomano cunhou um novo termo na ordem jurídica internacional. Cerca de 80% da população arménia da Turquia pereceu afogada, queimada ou em marchas forçadas no deserto. Por Paulo Chitas

O bilionário misterioso Rico, cosmopolita, amante de arte, Calouste Gulbenkian também foi refugiado - por duas vezes. Por Paulo Chitas

Fugidos da Rússia Milhões acossados pelo avanço do Exército Vermelho procuraram o estrangeiro, sobretudo a França. Por Paulo Chitas

Catástrofe na Ásia Menor Os gregos «levantinos» partiram para a Grécia e os turcos da Trácia para a Anatólia. A Convenção de Lausanne, no termo da I Guerra Greco-Turca (1919-22), originou uma das mais impressionantes trocas de populações do século XX. Por Pedro Caldeira Rodrigues

Um êxodo português através dos Pirinéus No final da Guerra Civil de Espanha, refugiados portugueses atravessaram os Pirinéus para a França, onde foram instalados em campos de concentração. É uma odisseia quase esquecida. Por Francisco Galope

A maior de todas as crises Nada menos do que 46 milhões de refugiados europeus foram registados entre 1939 e 1948, em consequência da II Guerra Mundial e do início da Guerra Fria que se lhe seguiu. Por Ricardo Silva

Partida de Lisboa de refugiados, 1940

Partida de Lisboa de refugiados, 1940

ANTT

Portugal, um país de salvação Entre 60 a 80 mil refugiados terão passado por Portugal durante a II Guerra Mundial. O regime impediu-os de se fixarem, mas, ironicamente, beneficiou da imagem criada pela passagem de vistos por Aristides de Sousa Mendes contra as ordens do ditador. Por Irene Flunser Pimentel

Um “paraíso” chamado Figueira da Foz A grande estação balnear do centro de País acolheu pelo menos 800 refugiados em 1940. E nunca voltou a ser como antes. Por Margarida Magalhães Ramalho

Os “indesejados” na Ericeira A vila piscatória acolheu estrangeiros que tinham passado pelas cadeias portuguesas, nomeadamente pelo Aljube. Por Margarida Magalhães Ramalho

Paragem na Curia Futuras vedetas de Hollywood, maestros, pianistas e um engenheiro eletrotécnico expedito fizeram parte da paisagem humana das termas. Por Margarida Magalhães Ramalho

Obrigado, Portugal O cineasta Georges Rony cruzou a fronteira de Vilar Formoso em junho de 1940, acabando por ir parar a uma pequena aldeia do concelho de Loures, onde ficou a viver com a família. Eis a sua experiência única, em discurso direto

Caldas cosmopolita Para largas centenas de refugiados judeus, a cidade foi um paraíso em tempos de guerra. A vida mudou, e as mentalidades também. Por Luís Pedro Cabral

Encontrar refúgio no pós-guerra Fini tinha 8 anos quando veio passar uma temporada a Portugasl, onde deixou três quartos do coração. Como ela foram quase 6 mil as crianças austríacas acolhidas em casa de famílias portuguesas entre 1947 e 1954. Por Rosa Ruela

ONU, um mundo de esperança Portugal penou dez anos até ser admitido na Organização das Nações Unidas, em 14 de dezembro de 1955. Por Pedro Vieira

O campo de refugiados mais antigo do mundo Oitenta por cento dos habitantes da Faixa de Gaza são palestinianos de territórios hoje controlados por Israel. Em 1948 chegaram a Jabalia crianças que hoje já têm bisnetos. É a zona mais densamente povoada do planeta e um terreno fértil para o ódio. Por Patrícia Fonseca

O êxodo húngaro para o Ocidente Em 1956 e 1957, na sequência da grande revolta iniciada pelos estudantes de Busdapeste e que culminou na sangrenta intervenção das tropas soviéticas, muitos milhares de húngaros exilaram-se para fugir à repressão. Por Ricardo Silva

Do Faial para os EUA Ao receberem o estatuto de refugiados, os açorianos afetados pelas erupções do vulcão dos Capelinhos de 1957 e 1958 fizeram alterar a legislação norte-americana. Por Francisco Miguel Nogueira

A tragédia dos “pieds-noirs” A descolonização da Argélia pela França, em 1962, após uma guerra prolongada e mortífera, teve como consequência uma vaga de 'retornados' desenraízados como não havia memória. Por Ricardo Silva

O adeus às armas Durante o Estado Novo, as perseguições políticas e a Guerra Colonial criaram uma enorme vaga de exilados políticos. Por Cláudia Lobo

Retornados, não - deslocados ou refugiados Institucionalemente classificados de «retornados», os portugueses que deixaram as colónias africanas entre 1974 e 1977 sempre rejeitaram o rótulo. Por Alexandra Marques

José Amaral

José Amaral

Jose Carlos Carvalho

A epopeia do rapaz com quatro nomes À boleia da ponte aérea iniciada para resgatar 23 militares portugueses aprisionados por forças pró-indonésias, José Amaral chegou a Lisboa aos 12 anos, com apelido e pais adotivos arranjados à pressa. Começou aqui uma segunda vida, como milhares de timorenses refugiados do genocídio perpetrado pelas tropas invasoras do ditador indonésio Suharto. Por J. Plácido Júnior

O fim da Jugoslávia No início da década de 1990 a Europa assistiu a regresso da guerra, com a desintegração da Jugoslávia federal. As consequências deste conflito «interétnico» foram particularmente penosas para as populações civis, com o seu desfile de milhões de refugiados e deslocados. Por Pedro Caldeira Rodrigues

Ali Mustafa Alkhamis: ‘A Europa é a nossa única hipótese’ A odisseia de um refugiado sírio recordada na primeira pessoa. Testemunho recolhido por Rosa Ruela