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A Exposição do Mundo Português e a propaganda do Estado Novo

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Eis o tema de mais um número da VISÃO História, já nas bancas

Durante quase meio ano, entre 23 de junho e 2 de dezembro de 1940, a Exposição do Mundo Português transfigurou a face da zona lisboeta de Belém e fixou um padrão ideológico e estético: o da imagem do Portugal simultaneamente tradicionalista e renovado que o Estado Novo queria transmitir aos portugueses e ao mundo. 
O grande certame culminou uma campanha de propaganda política, arreigada no nacionalismo, que o regime ditatorial instaurado por militares em 1926 e estruturado por Salazar a partir de 1932 vinha orquestrando com base no contraste entre o «Progresso» do «novo Portugal» e a «decadência» do parlamentarismo da I República.
Este número é dedicado a essa mostra, à Exposição Colonial do Porto que em 1934 a antecedeu e, de um modo geral, à propaganda do regime. Concebida em 1938, a Exposição terá sido prejudicada pela eclosão da II Guerra Mundial, mas esse fator acabaria por contribuir para a encenação de uma imagem do País como «oásis de paz e de progresso».
Na sua preparação e realização, contou-se com a colaboração inestimável e o olhar atento da investigadora Margarida Magalhães Ramalho.

Horácio Novais/Biblioteca de Arte Fundação Gulbenkian

PROPAGANDA

O Estado Novo e a propaganda Inspirado no fascismo italiano mas com características próprias, o regime político de Salazar foi um dos «Estados novos» que marcaram uma época. 
Por Luís Reis Torgal

Exposição Colonial 
de 1934: Porto, ‘capital do Império’ Durante três meses e meio, em 1934, o Porto acolheu muitos milhares de visitantes, que faziam fila para ir ver os indígenas. A 1ª Exposição Colonial Portuguesa foi uma espécie de ensaio geral do que viria a ser a Exposição do Mundo Português. Por Emília Caetano


António Ferro, o construtor 
da identidade 
Desejava edificar não só a imagem de Salazar, mas a identidade cultural do País. A sua herança é ainda visível no Portugal democrático do século XXI. Por Carla Ribeiro


O cinema como arma Meio indispensável da propaganda do Estado Novo, a «7ª Arte» levou a Exposição do Mundo Português e a propaganda do regime a todos os recantos do País. 
Por Heloísa Paulo


A escola que convinha à Nação Manuais escolares ditados pelo regime, a afixação de crucifixos nas salas de aulas ou a exaltação heroica do ‘Império’ faziam parte da estratégia de consolidação ideológica do Estado Novo. Por Vânia Maia

CONSTRUÇÃO


Construir, desconstruir: imagens de Belém

Belém, o lugar da história 
Já bem antes do século XX, um arrabalde da capital atraíra as atenções, tornando-se o centro de uma nova conceção de espaço. Por Luís Almeida Martins


No tempo dos banhos e da Feira Praia da corte antes da eleição de Cascais, Belém tornou-se numa zona de recreio simultaneamente aristocrática e republicana, com corridas de cavalos e demonstrações aeronáuticas. Por Margarida Magalhães Ramalho


Duarte Pacheco, o grande dinamizador O quase «lendário» ministro das Obras Públicas e presidente da Câmara de Lisboa foi o grande dinamizador de um projeto por muitos tido por megalómano. Por Margarida Cunha Belém


Os arquitetos do efémero Cottinelli Telmo dirigiu uma equipa de modernistas basicamente formada na ESBAL e nascida na década de 1890. Por Margarida Cunha Belém


Os maquetistas vindos 
de Vilar de Mouros 
Vilar de Mouros, no concelho de Caminha, foi um alfobre de estucadores, e raros foram os que não passaram pelos estaleiros de Belém. Dali saiu a grande maioria dos maquetistas em gesso portugueses. Por Paulo Torres Bento


Os artistas de Ferro Apoiantes ou adversários do regime, toda uma geração de artistas plásticos teve em Belém a oportunidade de deixar uma marca na memória. Por Margarida Cunha Belém

A EXPOSIÇÃO

Os principais pavilhões

A zona das aldeias portuguesas

A zona das aldeias portuguesas

Casimiro Vinagre/Biblioteca de Arte Fundação Gulbenkian

Abreviatura rústica 
de um país maneirinho Assim definiu António Ferro o Centro Regional que concebeu para a Exposição do Mundo Português. Por Margarida Acciaiuoli


A exótica Secção Colonial Se o Brasil – antiga colónia – teve um tratamento autónomo na Exposição, as colónias da altura foram apresentadas como uma extensão etnográfica exótica de Portugal. 
Por Fernando Baptista Pereira


As duas vidas 
de um monumento Não estava previsto no projeto inicial da Exposição. 
E, no entanto, o Padrão dos Descobrimentos, se bem que reformulado, ainda hoje lá está. 
Por Emília Caetano


Desenho inglês para a Nau Portugal A reconstituição de um navio seiscentista da Carreira da Índia foi a coqueluche da Exposição, mas só pôde ser visitada a partir de setembro. Por Margarida Magalhães Ramalho


Airbnb nos anos 40 
A afluência de visitantes à Exposição criou um regime especial de alojamento e obrigou Lisboa a organizar os seus transportes. Por Cláudia Lobo

Casimiro Vinagre/Biblioteca de Arte-Fundação Gulbenkian

Adeus, Europa Para muitos refugiados do nazismo, a última visão do Velho Mundo mergulhado nas trevas foi a luminosa Exposição de Belém. Por Margarida Magalhães Ramalho


Fotos: Belém em 194