Começou com aplausos. Entre os banqueiros portugueses, viveu-se uma espécie de alívio com a decisão de Bruxelas de apoiar a recapitalização da banca espanhola. "Só podemos beneficiar com um sistema bancário espanhol recapitalizado e preparado para apoiar a economia. As economias de Portugal e Espanha estão muito integradas. Uma economia espanhola sã é muito importante para contribuir para o nosso crescimento", disse António de Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Bancos.  Nuno Amado, líder do BCP, admiti que "a medida reduz a incerteza sobre a situação em Espanha" e Ricardo Salgado, presidente do BES, garantiu ser "muito positivo" ter-se encontrado uma solução para os problemas da banca espanhola.  As bolsas abriram na manhã de segunda-feira, 11, em alta, e os juros da dívida dos países em dificuldade começaram a aliviar. Mas o que parecia ser uma solução milagrosa, depressa começou a criar outras inquietações. As bolsas voltaram ao vermelho e os juros dispararam outra vez. Afinal, Espanha ainda tem graves problemas por resolver e poderá necessitar de mais ajudas.  É praticamente garantido que terá de apertar ainda mais o cinto e aplicar várias medidas de austeridade. E, num país que já se encontra em recessão económica, com uma taxa de desemprego de 25%, um défice orçamental que poderá ficar acima dos 6% do PIB e uma dívida pública galopante (podendo passar de 68% do PIB para perto dos 90%), autonomias altamente endividadas (com muitas encargos ainda por apurar), aplicar medidas de austeridade num cenário já de si muito complicado pode trazer graves consequências para as economias espanhola... e portuguesa.

Danos colaterais

Seremos, certamente, um dos principais alvos dos danos colaterais. O mercado espanhol é o mais importante para as exportações portuguesas, pois representa pouco mais de que um quarto de todas as nossas vendas ao exterior. Além disso, as exportações, que cresceram a um ritmo de dois dígitos, nos primeiros meses deste ano, são o único fator que tem aliviado a nossa economia dos efeitos nefastos gerados pela crise, os cortes e os apertos impostos por Bruxelas.Se Espanha for obrigada a aplicar mais medidas de austeridade, como se prevê, para receber os 100 mil milhões de ajuda à banca, o mais provável é que os efeitos sejam sentidos do lado de cá da fronteira.  "Cerca de 30% das nossas empresas exportadoras têm como único mercado a Espanha. Embora representem apenas 5% ou 6% do valor das nossas exportações, pois são empresas de pequena ou média dimensão, terão a vida muito mais complicada se a situação económica espanhola continuar a deteriorar-se", alerta Manuel Caldeira Cabral, professor na Universidade do Minho, especialista em comércio internacional.

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