Aníbal Cavaco Silva, presidente da República portuguesa, lembra José Saramago como um "escritor de projeção mundial, justamente galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, (...) será sempre uma figura de referência da nossa cultura"."Em nome dos Portugueses e em meu nome pessoal, presto homenagem à memória de José Saramago, cuja vasta obra literária deve ser lida e conhecida pelas gerações futuras", acrescentou.

José Sócrates referiu-se ao escritor como "um dos grandes vultos da nossa cultura" Disse ainda que "o seu desaparecimento torna a nossa cultura mais pobre". Quando questionado sobre a possibilidade de o governo decretar um dia de luto nacional, Sócrates respondeu considerar ser "cedo para pensarmos nisso." No entanto fez questão de salientar "que José Saramago deixa uma grande obra literária, que dignifica e orgulha o país".

As declarações de Jorge Lacão, ministro dos assuntos parlamentares, relembram José Saramago e a importância do seu legado: "O prémio Nobel enche o país de orgulho e deu um contributo para o prestígio da língua portuguesa não só em Portugal como à escala universal. Foi em vida um homem de opiniões próprias e muitas vezes de opiniões controversas. Saramago deu também um contributo para afirmar os valores do pluralismo democrático da sociedade portuguesa".

"Foi com profunda consternação e pesar que recebi a notícia da morte do escritor José Saramago, um dos vultos mais destacados da cultura portuguesa contemporânea. Nobel da Literatura em 1998, José Saramago deixa uma obra literária intemporal. Com o seu desaparecimento, Portugal fica mais pobre", declarou Passos Coelho, secretário-geral do PSD. Acrescentou ainda que,"independentemente das polémicas que a sua obra mereceu vai ter o reconhecimento de todos nós no momento da sua morte, é um grande nome da cultura e das letras que merece o nosso reconhecimento e respeito".

Em reação à morte do Prémio Nobel da literatura, Teresa Caeiro, deputada do CDS-PP declarou que "como é sabido, há muitos pontos que ideologicamente nos separavam de José Saramago, uns históricos, outros mais contemporâneos". No entanto, a deputada do CDS disse que a sua bancada não é "sectária", acrescentando que o partido reconhece que o facto de o escritor ter sido o único prémio Nobel do país "contribuiu decisivamente para dignificar a língua portuguesa, a literatura portuguesa e para a divulgação da nossa língua no mundo, portanto, obviamente que apresentamos as condolências à família".

José Manuel Pureza lembrou José Saramago como "um escritor sempre insubmisso no estilo e nas causas que sempre defendeu, à escala nacional e internacional".

A ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, manifestou hoje pesar pela morte de José Saramago, 87 anos, destacando que a obra do Nobel da Literatura português fica marcada pela "liberdade de pensamento"."Foi um homem que afirmou a sua criação literária através da liberdade de pensamento", destacou a governante, que se encontra em Sintra a participar numa reunião de ministros da cultura da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho considera José Saramago, "um dos principais escritores da literatura universal e da língua portuguesa, com uma escrita de grande qualidade". "É, sem dúvida, um dos principais escritores da língua portuguesa, como Lobo Antunes", comparou João Paulo Borges Coelho, detentor do Prémio Leya 2009, o galardão literário de maior valor monetário (100 mil euros) nos países de língua portuguesa. João Paulo Borges Coelho diz ter recebido "com tristeza" a informação da morte de José Saramago, autor do "Ensaio sobre a Cegueira", um dos "livros prediletos" do escritor moçambicano.

A Academia Brasileira de Letras está "enlutada" disse hoje à Lusa o presidente da ABL, Marcos Vilaça. "É uma grande perda para a língua portuguesa. Estamos todos muito entristecidos. A Academia está enlutada", assinalou. "Saramago vai fazer uma falta grande, porque era um escritor muito singular e original, cujo temperamento contribuía para ser uma controvérsia ambulante, e um grande intelectual universal da língua portuguesa", acrescentou.

O coordenador do grupo "Mais Saramago" destacou hoje a "generosidade sem fronteiras" e o "sentido de ética" do escritor, garantindo que continuará a ter o Nobel como referência e a aprofundar o conhecimento sobre a sua obra. Em declarações à Lusa, o coordenador do grupo, José Miguel Noras, destinado também a estimular o gosto pela leitura, afirmou que "a perda e a consternação são totais" perante a morte de José Saramago, mas sublinhou que "só morre quem não vence o esquecimento". "Estamos muito magoados agora, muito tristes, mas Saramago continua a existir como o gigante que é da nossa cultura, da nossa literatura. É uma referência para nós", referiu José Miguel Noras.

O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, manifestou hoje "profundo pesar e enorme mágoa" pela morte de José Saramago, militante comunista desde 1969, e considerou que o escritor "merece a homenagem" do luto nacional.

O candidato a Presidente da República Manuel Alegre considerou hoje que o escritor José Saramago será "uma referência universal da grandeza e do desassombro", definindo-o como um cidadão e homem "da mais rara dignidade". "Morreu José Saramago, prémio Nobel da literatura, cidadão e homem da mais rara dignidade. Éramos amigos. Dele recordo, tanto como os livros inesquecíveis, os momentos partilhados, quanto nos aproximou sempre para lá das diferenças", refere Alegre numa nota escrita enviada à comunicação social.

Bernard Kouchner, Ministro  dos Negócios Estrangeiros e Europeus  de França

"Com o desaparecimento de José Saramago, Portugal perde um dos seus maiores escritores e a França um grande amigo. Durante toda a sua vida, José Saramago foi um homem comprometido com a causa das liberdades. Tendo lutado contra a ditadura para que o seu país conhecesse a democracia, ele travou, em nome dos mesmos ideais, este combate em todo o mundo e particularmente em Timor-Leste.

As suas convicções encontravam-se no âmago da sua excepcional obra literária o que lhe mereceu ser o primeiro escritor português e lusófono a receber o prémio Nobel da Literatura.

Do "Terra do Pecado" ao "História do Cerco de Lisboa"  passando por "O Ano da Morte de Ricardo Reis" e por "Jangada de Pedra", a obra de José Saramago é cheia de curiosidade, de desejo, de perguntas e de angústias, de uma profundidade única sobre a sociedade portuguesa da qual os Franceses se sentem tão perto e à qual estão tão agarrados.

José Saramago estava ligado à França por uma amizade antiga, profunda e sincera  que lhe valeu  a atribuição  do título de  Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Bordeaux e de Lyon.

À sua família e aos seus íntimos, ao Governo e ao povo português, endereço as minhas sinceras condolências e expresso a minha mais profunda simpatia.