Na era do "allways connect", do 3D e do 4G, do wi-fi e das apps, custa acreditar que já houve um tempo em que assistir aos Jogos Olímpicos pela televisão significava ver emissões em diferido e, normalmente, só dentro de horários "recomendáveis": pouco depois da meia-noite, na única estação do País, dizia-se "boa noite", mostrava-se a bandeira, tocava-se o hino e desligava-se o sinal de TV... mesmo que continuassem provas a decorrer a alguns fusos horários de distância. Custa a crer por uma razão muito simples: é que esse tempo foi há pouco...tempo - já no tempo em que os Jogos se tinham transformado num espetáculo verdadeiramente global e em que os portugueses começavam a ganhar as medalhas mais cobiçadas.

Os Jogos Olímpicos são hoje o maior espetáculo televisivo do mundo, mas a sua glória foi construída, muito antes, nas páginas dos jornais. Por isso, quando queremos contar a sua história, é à Imprensa que temos que nos socorrer, em busca dos relatos das proezas desportivas, dos pequenos dramas que foram marcando a competição e até das inúmeras polémicas que povoam o inconsciente coletivo do país em cada quatro anos. Primeiro em folhas impressas em tipografias a chumbo, sem imagens, com relatos enviados por anónimos jornalistas de agências já desaparecidas, e por cabograma. Depois, já com as fotos a ocuparem a largura das manchetes, graças ao offset, e com despachos "martelados" em telexes pelos primeiros enviados especiais no centro da ação. Mais tarde, já em páginas a cores, com textos e fotos transmitidos de forma instantânea, em competição direta com as TVs, mas com mais pormenores, análises e as histórias que não cabem nos "diretos" televisivos.

Faz este ano um século que Portugal se fez representar, pela primeira vez, nos Jogos Olímpicos. E em vésperas do seu regresso a Londres, para os Jogos da 30.ª Olimpíada, faz todo o sentido recordar a história das participações portuguesas na maior competição desportiva do planeta, ao longo dos últimos 100 anos. Muita dessa história está hoje armazenada, microfilmada, digitalizada e indexada nos arquivos da Gesco. E é com base nessa "memória", mais concretamente sobre o acervo das publicações diretamente ligadas (desde a génese ou por aquisição) ao grupo Impresa que as páginas deste livro foram construídas. Num único volume, reunimos excertos do trabalho de várias gerações de jornalistas e editores, em diferentes momentos e publicações. E apesar da diferença de estilos e abordagens, acreditamos que conseguimos traçar um retrato do que de mais importante ocorreu, em termos de imaginário coletivo português, em cada edição dos Jogos Olímpicos.

O volume inicia-se com a notícia publicada pelo jornal A Capital (I série) a dar conta da morte de Francisco Lázaro, na maratona dos Jogos Olímpicos de Estocolmo, em 1912 - um facto trágico e único, sempre recordado em todas as edições dos Jogos, e que teve alguns efeitos nefastos no desenvolvimento do desporto em Portugal (uma fatalidade nunca vem só...).

Grande parte das décadas seguintes é contada através de artigos de memória publicados posteriormente, em diversas publicações. Os relatos "em direto" reiniciam-se com os Jogos Olímpicos do México, em 1968, em que já existia a II série de A Capital (embora sem a presença, ainda, de um enviado especial, porque o jornalista escalado para essa tarefa sofreu um acidente, durante a cobertura da Volta a Portugal em Bicicleta, poucas semanas antes, que o impossibilitou de partir para o México...). O trabalho dos enviados-especiais torna-se central nas diferentes coberturas da Imprensa a partir dos Jogos de Munique, em 1972, em especial após os atentados terroristas que assombraram essa Olimpíada (momento em que A Capital chegou a ter não um, mas dois enviados especiais na cidade alemã!).

A partir dos Jogos de Montreal 1976, e com a conquista da primeira medalha portuguesa ganha num estádio olímpico (por Carlos Lopes), a cobertura alarga-se neste livro às outras publicações entretanto aparecidas: Expresso e O Jornal. Depois, a partir dos Jogos de Atlanta, em 1996, essa cobertura é enriquecida com os trabalhos dos enviados da Visão, revista que, desde a sua fundação, teve sempre enviados-especiais em todos os Jogos Olímpicos.

Reunidos num único volume e lidos agora à distância, todos estes artigos, reportagens, inquéritos, entrevistas, análises e artigos de opinião ajudam-nos a compreender melhor o valor e significado dos Jogos Olímpicos e o seu poder para despertar emoções, criar polémicas, gerar heróis e mudar mentalidades. Mas ajuda-nos também a perceber como Portugal (e o mundo...) mudaram ao longo das últimas décadas. Ler agora as polémicas provocadas, em 1980, por causa do boicote aos Jogos de Moscovo revela-nos o que foi, de facto, a Guerra Fria, mesmo que, na época, não nos déssemos conta disso. Recordar as polémicas em torno de Rosa Mota - em 1984 por não querer ficar a dormir na Aldeia Olímpica e em 1988 por exigir uma pista de tartan no Porto - mostram-nos, hoje, o quanto Portugal evoluiu em termos sociais, de igualdade de género e de infraestruturas. E esse exercício pode ser continuado em todos os Jogos seguintes, quase sempre marcados, por um turbilhão de emoções, a variar entre a glória e a desilusão, a surpresa e a irritação. No fundo, tudo aquilo que tem feito a matéria de que se faz a história dos Jogos Olímpicos. Uma história apaixonante, que apetece ler (e rever) de quatro em quatro anos.

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