Portugal entrou da pior maneira no Mundial 2014, sendo goleado por 4-0 pela Alemanha. Uma exibição sem chama, repleta de erros individuais e a infantilidade de Pepe ditaram a goleada, à qual se veio juntar o infortúnio de perder dois jogadores por lesão, Hugo Almeida e Fábio Coentrão.

Com esta derrota e, sobretudo, com a exibição, Paulo Bento vai ter muito que trabalhar para conseguir apresentar uma equipa com outra atitude competitiva, capaz de suplantar as ausências de duas pedras fulcrais (Coentrão e Pepe) e dar a volta a uma qualificação que, assim, se torna mais difícil. No próximo domingo, só a vitória interessa, frente aos Estados Unidos da América, que esta noite defronta o Gana.

Desastre e infantilidade

A primeira parte de Portugal foi simplesmente um pesadelo. Depois de uns primeiros minutos de equilíbrio, Cristiano Ronaldo desperdiçou uma boa oportunidade, rematando contra Neuer, após recuperação de bola a meio campo de Miguel Veloso. Um lance determinante, que podia ter colocado em vantagem, mas acabou por ser o sinal que fez a Alemanha reagir e partir em busca do golo, que aconteceu aos 11 minutos, por intermédio de Muller, na conversão de uma grande penalidade assinalada apor falta de João Pereira sobre Gotze.

A defesa portuguesa dava sinais de enorme intranquilidade, incapaz de se entender com a mobilidade do trio atacante alemão. Na frente, Nani ainda assustou Neuer com um remate de longe que passou a milímetros da trave, aos 25 minutos, mas a Alemanha estava imparável, aproveitando o adiantamento de Portugal para lançar o contra-ataque. Aos 31 minutos, João Pereira evitou o segundo, desviando para canto. Mas, na sequência deste lance, Hummels fez o segundo da Alemanha, cabeceando sem oposição entre os centrais Pepe e Bruno Alves.

Atarantada, a equipa portuguesa tentou reagir, mas as coisas não corriam de feição. Hugo Almeida saiu lesionado dando lugar a Eder, que, pouco depois de entrar, cabeceou por cima da barra. Nani e Coentrão também tiveram oportunidade de rematar à baliza, mas optaram sempre por procurar Cristiano Ronaldo, sempre muito marcado.

Até que, aos 37 minutos de jogo, Pepe deu a machadada final nas aspirações nacionais, fazendo-se expulsar num lance infantil, em que se envolveu numa picardia com Muller. Com menos um, Paulo Bento fez baixar Raul Meireles para o centro da defesa, o que veio criar ainda mais instabilidade ao sector. Já nos descontos, Bruno Alves teve tudo para aliviar, mas permitiu o corte de Muller que, sozinho diante de Patrício, fez o terceiro da Alemanha

Mais do mesmo

No segundo tempo, Paulo Bento fez entrar Ricardo Costa para o lugar de Miguel Veloso e recompôs a defesa. Isso e o claro abrandamento da Alemanha, que optou por gerir o resultado e resguardar-se do calor e da humidade que se faziam sentir em Salvador ainda deram a sensação de que Portugal equilibrara as operações. Mas a equipa nacional nunca conseguiu chegar com perígo à área alemã. E, na única vez que o fez, o árbitro deixou passar em claro uma grande penalidade sobre Eder, que, nessa altura, jogava na direita, deixando o eixo do ataque a um desinspirado Cristano Ronaldo e a esquerda a um não mais inspirado Nani.

A juntar à desinspiração geral, a lesão de Fábio Coentrão (aparentemente grave) obrigou Paulo Bento a mais uma alteração forçada, fazendo entrar André Almeida.

Aos 78 minutos, Rui Patrício voltou a tremer e a aliviar a bola para a zona frontal, onde só estavam alemães. André Almeida ainda evitou o primeiro remate, mas a bola sobrou para Schurrle, que cruzou e proporcionou a Rui Patrício nova fífia, amortecendo a bola para Muller fazer o quatro da Alemanha e transformar-se no primeiro a conseguir um hat-trick no presente Mundial.

Estava feito o resultado final.