A última Cimeira europeia foi diferente das anteriores: a senhora Merkel não levou a sua avante e ficou um pouco isolada. Não terá sido uma vitória do primeiro-ministro italiano, Mário Monti, como certos jornais anunciaram. Mas houve um entendimento em Roma, o Presidente francês, François Hollande, apoiou a Espanha de Mariano Rajoy - em tão grandes dificuldades como a Itália - e Monti falou duro à chanceler alemã, que finalmente parece ter percebido que é preciso salvar o euro e a União Europeia, sob pena de a Alemanha vir a ser a maior vítima; sem esquecer a França, cujas dificuldades deixaram de ser escamoteadas (como no tempo de Sarkozy) e passaram a estar à vista.

O beijo e os sorrisos de Merkel e Hollande marcaram os 50 anos da reconciliação franco-alemã. Uma efeméride que faz recordar o passado... E voltou a falar-se da necessidade da capitalização da banca europeia, esperando-se que haja um supervisor bancário, que deverá ser, talvez, o Banco Central Europeu. Veremos!

Para além das controvérsias dos dirigentes europeus - mais ou menos à porta fechada - a população dos países da Zona Euro, com exceção dos radicais de direita (a Finlândia e a Holanda), começaram a ter consciência das dificuldades em que se encontram e do perigo imenso em que incorreriam se a União Europeia se desagregasse e a moeda única, o euro, fosse substituído pelas moedas nacionais, mesmo que o marco...

O Parlamento Europeu tem de dialogar com o Povo Europeu que representa, porque uma das grandes dificuldades que tantos países europeus estão a viver resultam também da ausência total de comunicação entre os dirigentes, os eleitores e os seus legítimos representantes: os partidos políticos, com assento no Parlamento, e os parceiros sociais, a começar pelos sindicatos. Trata-se de um défice democrático imperdoável.

Quanto a Portugal, apesar das grandes preocupações terem pouco a ver connosco, não estamos a participar no diálogo europeu, como devíamos. É mau que assim seja. Rajoy, correligionário de Passos Coelho, tem tido uma posição menos subserviente face à chanceler, e sabido dar, quando é preciso, um murro na mesa europeia. Não tem sido o caso dos dirigentes portugueses, demasiado ideológicos (leia-se neoliberais) e muito pouco pragmáticos. Estão, além disso, desatentos à evolução europeia.

Aliás, o nosso Governo tem estado à deriva, sem rumo certo, com vários ministérios paralisados. Um só exemplo: dezenas de gestores públicos não recebem instruções do Governo, desde que tomou posse, há mais de um ano. É obra! Os portugueses, sem informação, sentem na pele que há cortes sobre cortes, mas ninguém lhes explica qual é o rumo a seguir. E como iremos sair da crise. Daí as greves, que se sucedem, e o desespero das pessoas em geral.

As leis são mal feitas, como nunca antes sucedera. Os ministros não respondem às solicitações que lhes são feitas, nem recebem, mesmo os autarcas, como sucedeu com a ministra da Justiça; ou com o ministro da Saúde - e daí a ameaça de greve dos médicos -, com as Universidades, as Forças Armadas, as Forças de Segurança, para não referir as Obras Públicas, o Turismo ou o Mar, tão falado, sem que nada se faça. Os próprios simpatizantes e aderentes dos partidos da coligação se queixam, porque os senhores ministros não os ouvem nem respondem às solicitações. Foi o que disseram personalidades como João Salgueiro, Ferraz da Costa e Mira Amaral, no Fórum da Competitividade. E muitos outros têm vindo a alertar para o mesmo.

É uma situação de paralisação e desvario que existe e vivemos há mais de um ano, e que não se pode arrastar por muito mais tempo. A menos que queiramos cair no caos! Ou começar tudo de novo...