Já está. Pedro conseguiu o primeiro emprego. Em apenas três dias a sua vida deu uma volta. Numa sexta-feira, em meados de Maio, Pedro recebeu um telefonema de uma empresa do Porto à qual tinha enviado uma candidatura espontânea. "Deram-me o fim-de-semana para pensar e na segunda-feira já estava no norte a assinar um contrato. Uns dias depois voei para S. Miguel", conta. E foi por isso que teve que pensar durante dois dias, já que não estava exactamente nos seus planos mais imediatos voltar para a terra natal, nos Açores.
"Prefiro começar a trabalhar em Lisboa e depois, mais tarde, ir para S. Miguel", contava-nos, na primeira conversa que tivemos, em Abril passado. É que Pedro já tinha a sua vida pessoal organizada na capital. Namorada e amigos acabaram, assim, por, também, serem conselheiros do engenheiro nesta nova etapa.
Quis o destino que fosse a construção de SCUT's (estradas Sem Custo para o Utilizador) nesta ilha a levá-lo de volta para casa. "Pensei bastante, mas não podia recusar. Livrei-me da incerteza que é estar à procura do primeiro emprego. Não sabia quando poderia surgir outra oportunidade", diz. Pedro trabalha, agora, na fiscalização desta obra. "Estou contente. Acho que tomei a decisão certa. É uma mega-obra e estou a aprender bastante", assevera, confiante e entusiasmado em relação ao futuro.


14 de Maio

Já enviou "mais uns quantos currículos", diz, e está inscrito em vários sites de emprego. Este engenheiro recém-licenciado fez testes psicotécnicos para a empresa Mota-Engil, mas não ficou. Através do Instituto Superior Técnico, participou numa "dinâmica de grupo, com vários colegas", durante a qual simularam a organização de uma festa.


15 de Abril

Pratica body-board desde a infância, mas é agora que enfrenta uma das maiores ondas da sua vida: arranjar o primeiro emprego. Mestre em Engenharia Civil, pelo Instituto Superior Técnico, desde 6 de Abril (o mesmo dia em que se encontrou com a VISÃO) que o açoriano de São Miguel diz, sem receios: "Chegou a minha vez, quero singrar."

Em Janeiro, mal sentiu a tese de mestrado bem encaminhada, começou a enviar currículos para empresas de construção. A contabilidade do seu correio electrónico atesta que já enviou mais de cem, além dos que mandou por carta ou entregou em mão.

"A determinada altura passei a ir às empresas entregar pessoalmente o currículo e uma carta de apresentação. Só por duas vezes é que passei da recepção, mas porque eram em apartamentos", conta, bem-humorado, Pedro, que ganhou gosto pela construção civil através do avô mestre-de-obras e de um pai faz-tudo.

E se há muitas empresas que nem resposta de agradecimento enviam, outras já se socorrem das novas tecnologias: "algumas já têm resposta automática. Se faço seguir o currículo às 2h da manhã, às 2h02 recebo uma resposta em forma de minuta a dizer que agradecem o envio".

Pedro, que também aproveita o tempo para ir ao ginásio, tem esperança e pensamento positivo, mas vê os anúncios e quase todos pedem experiência. Hoje recebi seis e-mails de emprego através de um site e todos pediam experiência", diz. Vale-lhe o "patrocínio": "Tenho sorte com os meus pais, devo-lhes tudo."