Pedro Passos Coelho deixou esta mensagem durante o debate quinzenal, no parlamento, em resposta ao líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que exibiu um conjunto de gráficos para assinalar a evolução das taxas de juro da dívida pública, das exportações e da despesa pública primária.

Luís Montenegro disse que esses gráficos mostravam as "linhas vermelhas" dos resultados da governação, numa alusão à expressão que o secretário-geral do PS, António José Seguro, utilizou para definir aquilo que poderia levar os socialistas a apresentar uma moção de censura ao Governo.

Em defesa dos resultados da governação, o líder parlamentar do PSD recorreu ainda às palavras de um socialista, o presidente francês François Hollande, com quem Passos Coelho esteve reunido, em Paris, na quinta-feira: "Os difíceis esforços que Portugal está a fazer estão a dar frutos".

O primeiro-ministro congratulou-se com a apresentação daquelas "linhas vermelhas", sustentando: "Esses resultados demonstram que os esforços que o país tem vindo a fazer apontam no sentido certo e significam que estamos próximos de vencer a situação de emergência".

Segundo Passos Coelho, o Governo PSD/CDS-PP herdou "uma situação de sobre-endividamento, de desequilíbrio externo, de desequilíbrio interno e de falta de competitividade" e tem corrigido esses fatores "num tempo recorde".

Seguro diz que crise política será culpa de Passos e Portas

O secretário-geral do PS advertiu hoje que, se houver crise política, será da exclusiva responsabilidade dos líderes do PSD e CDS, num debate crispado em que Passos disse estranhar que Seguro fale em eleições todos os dias.

"Se houver crise política será da responsabilidade do dr. Passos Coelho e do dr. Paulo Portas, porque os senhores têm uma maioria absoluta neste Parlamento", disse António José Seguro logo na abertura da sua intervenção no debate quinzenal com o primeiro-ministro na Assembleia da República.

O secretário-geral do PS referiu depois que se começou a falar em crise política em Portugal quando o primeiro-ministro foi desautorizado "por duas vezes" pelo líder do CDS, na sequência do anúncio de alterações à Taxa Social Única.