O primeiro-ministro defendeu hoje que a reforma do Estado tem de rever as despesas com pensões, saúde e educação e considerou que neste último setor há margem constitucional para um maior financiamento por parte dos cidadãos.

Em entrevista à TVI, na sua residência oficial de São Bento, Pedro Passos Coelho foi questionado sobre por onde pretende começar a reformar o Estado de modo a poupar 4 mil milhões de euros. "Pelas rubricas financeiras mais pesadas, como é evidente", respondeu o primeiro-ministro.

Passos Coelho disse que "metade da despesa do Estado, sem juros, são prestações sociais, ou seja, segurança social, saúde e educação" e que os salários e despesas com pessoal representam uma fatia de cerca de 20%.

Primeiro decide-se, depois debate-se

O primeiro-ministro garantiu que pretende estender o debate sobre a reforma do Estado até ao verão e dispôs-se a substituir as medidas que o Governo apresentará à 'troika' em fevereiro, se depois surgirem alternativas melhores.

Em entrevista à TVI, Pedro Passos Coelho reiterou que o Governo se comprometeu a apresentar à 'troika' em fevereiro um conjunto de medidas de reforma do Estado que somem um corte de 4 mil milhões na despesa pública e, face à recusa do PS em participar nesse processo, nesta fase, vai fazê-lo sozinho.

No entanto, segundo o primeiro-ministro, o executivo PSD/CDS-PP vai defender perante o Fundo Monetário Internacional, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia que um período de três meses, até fevereiro, é insuficiente para debater a reforma do Estado, propondo que esse debate se estenda até ao verão.

Nível de impostos "insustentável", mas sem fim à vista

O primeiro-ministro reconheceu ainda que o atual nível de impostos aplicado em Portugal é insustentável e não pode eternizar-se, mas recusou apontar uma data para a sua redução. Pedro Passos Coelho não quis comprometer-se com uma diminuição da carga fiscal até ao final desta legislatura, que termina em 2015.

"Eu tenho evitado sempre fazer promessas dessa natureza. Porquê? Porque nós temos, primeiro, de consolidar os nossos resultados", justificou.