Se é dos que acharam morno, morno, o debate entre Barack Obama e John McCain, tem toda a razão, mas anime-se que a sua vida vai melhorar. Amanhã, dia 2, Sarah Palin, a lufada de ar fresco que o candidato republicano foi buscar ao Alasca para sua vice e que era, afinal, contra o aborto, a regulamentação das armas e a educação sexual nas escolas, confronta-se com o outro candidato a vice-presidente, o democrata Joe Biden, que tem um longo currículo de gafes. Por exemplo, já se referiu a Obama como "o primeiro afro-americano mainstream que é articulado, brilhante, limpo e bem parecido". Sarah Palin que, no início, fez John McCain disparar nas sondagens, começou a inquietar os republicanos logo na sua primeira entrevista, ao admitir que os EUA pudessem entrar em guerra com a Rússia por causa da Geórgia. Mas na semana passada a situação só piorou, ao verem a sua candidata, confrangedora, numa entrevista televisiva, literalmente a balbuciar, enquanto olhava para o colo à procura de um papelinho salvador, quando ia a tentar explicar as consequências que teria um chumbo do plano de salvamento de Wall Street. "Um desastre", confidenciaram senadores republicanos a alguns jornalistas. Por mais que o staff da campanha republicana tenha preparado à sua candidata um manual de sobrevivência para o confronto com Joe Biden, o debate promete. A gritante impreparação de Sarah Palin parece castigo para John McCain, que sempre tem centrado a sua linha de ataque a Obama na sua... falta de preparação para o cargo. Aliás, talvez a frase que mais ficou do seu debate como o candidato democrata foi a que repetia, como se de um estribilho se tratasse, para introduzir todas as questões de política externa: "O senador não percebe...". Já agora, por muito que se diga que não existem diferenças significativas entre ambos em termos de política externa, na mesa-redonda que a CNN promoveu logo a seguir ao debate ficou patente que, pelo contrário, nestas eleições há mesmo, senão grandes divergências de propostas, pelo menos uma atitude bem distinta entre os dois candidatos nesta matéria. Obama defende, de facto, uma via mais negocial, enquanto McCain usa um tom bem próximo da Guerra Fria, quer relativamente ao Irão, quer mesmo à Rússia.