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A grande fraude: diversão e cinismo de uns à custa do sofrimento de outros

Silêncio da fraude

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Não seria mais 'justo' cortar no apoio do Estado aos partidos políticos?

Aurora Teixeira

"Um cínico é um homem que sabe o preço de tudo, mas o valor de nada."

(Oscar Wilde, 1854-1900, escritor e poeta Irlandês)

Não era esta a crónica que eu planeava escrever mas o desenrolar dos eventos nas últimas horas obrigaram-me a alterar os planos.

Os níveis de incompetência, cinismo e hipocrisia de alguns dos políticos portugueses que (des)governam o país atingiram mínimos históricos. A inaptidão social e técnica destes indivíduos deixa-me verdadeiramente revoltada já que os impostos que pago são cada vez mais desviados para a remuneração de autênticas 'aves rapinas', seus 'séquitos' (assessores, secretárias, motoristas, ...) e suas 'aberrações' (BPNs, SLNs, ...), em vez de servir para o financiamento de adequados serviços de saúde, educação e segurança e, através da redistribuição da riqueza, para a promoção de uma sociedade mais justa, coerente e coesa.

O extremo do cinismo e da hipocrisia é atingido nos dias de hoje por alguns mediáticos mas medíocres governantes do nosso país, desde o ministro das birras irrevogáveis, que quase levou ao colapso a anedótica coligação governamental, mas que entretanto foi promovido a vice-ministro e responsável pelas negociações com a TROIKA, passando pelo ministro da lambreta e terminando em outros 'notáveis' recentemente rendidos ao masoquismo.

Recordando aqui algumas passagens do programa eleitoral do CDS-PP às legislativas de 2011 (pode ser consultado em http://www.cds.pt/index.php?option=com_content&view=category&id=104&layout=blog&Itemid=174) 'rezava' assim:

"Entre 2003 e 2005, mesmo em condições de crescimento económico adversas, conseguiu reduzir-se a taxa de pobreza de 20% para 18%, através, sobretudo, do processo de convergência das pensões que, com um planeamento faseado, renumerava melhor as reformas mais baixas. A suspensão desse processo contribuiu para a estagnação do indicador oficial de pobreza. Os idosos, tal como os deficientes, foram a geração mais sacrificada por um conjunto de políticas de nítida insensibilidade social: cortes nas comparticipações dos medicamentos durante 3 anos, fórmula de cálculo dos aumentos que colocou os pensionistas 3 anos seguidos atrás da inflação, tributação de reformas baixas. (...) CRÍTICAS: 1. Aumento exponencial do desemprego. 2. Apoios no desemprego são insuficientes. 3. Maioria dos pensionistas perdeu poder de compra nestes 4 anos. (...)"

Eis como a 'geração mais sacrificada' pelas políticas socráticas de 'nítida insensibilidade social' continuará a ser... sacrificada! Hoje (6 de outubro de 2013) o ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, Mota Soares (que numa atitude de moralismo exibicionista foi à tomada de posse numa lambreta, mas que rapidamente se rendeu a um 'carrão' de quase 90 mil euros), anunciou o corte, em 2014, nas pensões de sobrevivência, quando acumuladas com uma segunda reforma (sem esclarecer, no entanto, qual o patamar mínimo a partir do qual será feito esse corte) para 'poupar' 100 milhões de euros.

Pergunto:

- Não seria mais 'justo' cortar no apoio do Estado aos partidos políticos, cuja verba não será muito distinta da que pretendem poupar, e que têm bastantes mais meios do que os reformados e viúvos para arranjar fontes alternativas de 'sustento'?

- Ou então, como proposto pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), impor um teto de 5.030 euros às pensões mais elevadas?

Esta última medida permitiria, de acordo com as contas apresentadas pelo Diário de Notícias em Maio de 2013, uma poupança anual de 200 milhões de euros. O 'chato', talvez, é que isso afetaria muitos políticos 'pobrezinhos' cujas reformas não chegam para pagar as suas despesas...

Será 'masoquismo' dizer que a situação social portuguesa é insustentável?