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Os primeiros protagonistas da noite

Sexto Sentido

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Comentário do Editor Executivo da VISÃO

António Costa: o que é que o Costa tem?

O presidente da Câmara de Lisboa parece ser reconduzido com um reforço da sua maioria absoluta. Se confirmar uma votação bem acima dos 50%, o seu resultado será o primeiro a ter uma "leitura nacional", termo que entrou na moda nos últimos dias. Vejamos porquê: os lisboetas, avisados por uma sondagem recente, não estavam pressionados pela urgência do voto útil no PS ou em António Costa (ao contrário do que sucedera há quatro anos, quando o dirigente socialista enfrentava um ameaçador Pedro Santana Lopes). Mesmo assim, compareceram nas urnas, referendando a política de Costa em Lisboa. O autarca ganha, assim, uma espécie de plebiscito, passa com distinção no teste da popularidade e torna-se esmagador e, possivelmente, demasiado grande para os resultados globais do PS, esta noite. 

Mas há outro aspeto: a "sede" de votar em António Costa parece revelar algum entusiasmo do eleitorado pela figura o que, internamente, no PS, não pode deixar de ser tido em conta. Num momento em que a classe política está pelas ruas da amargura - e em que a liderança de António José Seguro não arranca com a força que devia ter - o voto em Costa revela uma ânsia de alternativa, por parte do eleitorado lisboeta, que não pode deixar de ter consequências no todo nacional. Este resultado prova que António Costa fez bem em não disputar a liderança do PS, há poucos meses. A sua legitimidade é, agora, totalmente diferente. O seu resultado ameaça diretamente António José Seguro. Porque o País pergunta, a esta hora, com uma curiosidade benigna: "O que é que o Costa tem?"

Rui Moreira: O político improvável

O mediático empresário portuense revelou, em campanha, um estofo político que poucos adivinhariam. Com um discurso coerente e bem estruturado, com ideias concretas e com empatia com os seus conterrâneos, foi sempre, apesar do apoio do CDS e da metade mais prestigiada do PSD do Porto, um candidato verdadeiramente independente. Se ganhar, será a surpresa mais anunciada da campanha.

Luís Filipe Menezes: O Porto é implacável

O eleitorado do Porto é implacável. Que o diga Fernando Gomes, batido por Rui Rio em 2001. O Porto não gosta de arrogância nem de vencedores antecipados. O seu eleitorado não parece ter apreciado o perfil salta pocinhas (entre câmaras,) do candidato do PSD. "Mais vale uma rua do Porto qu'a Gaia toda!", apregoava o antigo bairrismo tripeiro...

Os eleitores também não terão gostado da forma quase histérica com que reagiu, sempre, contra a lei de limitação dos mandatos. Como se estivesse agarrado ao tacho. Menezes, que tinha tudo para ganhar, tem aqui um revés terrível para a sua carreira política. Mas ele tem um culpado de quem se queixará com azedume. Vem já a seguir...

Rui Rio: Traidor ou herói?

Fechamos como abrimos: uma figura nacional emerge, desta vez, no PSD. Ele teve um papel preponderante na vitória de Rui Moreira - e na derrota de Menezes. Teve o cuidado de nunca apoiar o candidato independente, de forma explicita. Mas "desapoiou" o candidato do seu partido. Pela falta de rigor nas contas de gGaia - e as do Porto foram sempre uma obsessão de Rio -, pelo historial conflituoso com o vizinho da outra margem e pela transparência, em nome da limitação de  mandatos que sempre defendeu - e praticou.. Rui Rio ganhou esta parada e provou a sua influência no PSD. É verdade que os seus adversários, quando ele se candidatar à  liderança "laranja", atirar-lhe-ão á cara a responsabilidade pela queda do Porto. E acusá-lo-ãp de traição. Não vai ser fácil. O seu desafio será, então, o de provar que o eleitorado lhe deu razão. E que pode continuar a dar-lhe razão, a nível nacional, quando a ocasião chegar.