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Filipe Luís

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Editor Executivo

A primeira vez de Rio, a última de Passos

Sexto Sentido

Filipe Luís

A Passos faltou, à saída do Centro de Congressos de Lisboa, o helicóptero dos presidentes cessantes americanos, de onde acenam à multidão, antes de voarem para o seu rancho… de Massamá

O aplauso dos congressistas a Pedro Passos Coelho, quando o líder cessante do PSD subiu ao palco, durou exatamente um minuto. Quando foi a vez de Rui Rio, chegaram 15 segundos: os militantes estavam com pressa de o ouvir. Ao longo da primeira meia hora de discurso do novo líder – o tempo de duração da intervenção de Passos, - interromperam-no, com aplausos, 30 vezes, mais dez do que ao ex-primeiro-ministro.

Curiosidades, apenas curiosidades de uma primeira noite animadora, do ponto de vista do homo laranjus: Passos teve uma despedida bonita, Rio teve uma receção educada.

Passos fez o habitual discurso contra o Governo da geringonça, confundindo um pouco o seu papel, como se estivesse agora no pleno do seu estatuto de líder da oposição. Com isso, parecia condicionar Rui Rio: quem seria o campeão da crítica ao Governo?

Rui Rio iniciou a sua prédica como uma espécie de arenga contra o estado do regime e dos partidos, confundindo o tempo e o local, como se o congresso fosse uma conferência.

Passos insurgiu-se contra a demagogia do Governo e deu como exemplo o propalado crescimento económico, citando 13 países, na União Europeia que cresceram mais que nós. Mas omitiu os 14 que cresceram menos e esqueceu-se que os que cresceram já vinham embalados de anos anteriores. Demagogia e água benta, cada um toma a que quer…

Rui Rio acabou em crescendo, concedendo cinco minutos de oposição pura ao final do seu discurso, desconstruindo a solidez da geringonça e surpreendendo com a arma da mordacidade, algo que os punhos de renda de Passos são incapazes de usar.

Passos produziu duas frases fortes -”não falhámos ao País” e “não é fácil bater a geringonça, mas é preciso bater a geringonça”. No final, ironizou com os que pensam que o problema do partido era “ele próprio” e os outros que achavam que o problema não era só ele. E acabou com um ar senatorial, a elogiar os sinais de reconciliação no partido, como que apaziguando o luto das suas próprias “viúvas”.

Rio produziu três frases fortes – “renunciar firmemente à demagogia e ao populismo”, “nem politização da Justiça, nem judicialização da política” e “os partidos da esquerda que falam do Bloco Central estão a perder tempo com o que não existe nem existirá”. A maior surpresa foi começar por falar da preparação das autárquicas, de 2020, antes de qualquer referência às legislativas de 2019. Foi como se o trreinador de um clube grande prometesse ganhar… a Taça da Liga.

Mas Rui Rio acabou a prometer vitórias em pacote para os vários atos eleitorais de 2019, afinal, como o treinador que diz ambicionar ganhar tudo, mesmo quando todos sabem que é impossível ganhar a champions. Evitou, assim, destacar o elefante no meio da sala: qual a receita para desalojar António Costa do poder?

E a Passos faltou, à saída do Centro de Congressos de Lisboa, o helicóptero dos presidentes cessantes americanos, de onde acenam à multidão, antes de voarem para o seu rancho… de Massamá.

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