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Matrioska de omissões

Boca do Inferno

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Há meses, houve barulho porque Artur Baptista da Silva acrescentou umas coisas ao seu currículo. Agora, há barulho porque Franquelim Alves retirou umas coisas ao dele. Com franqueza, decidam-se

Franquelim Alves, o novo secretário de Estado do Empreendedorismo, omitiu informação ao Banco de Portugal, na altura em que era administrador da Sociedade Lusa de Negócios, proprietária do BPN.

O Governo, quando nomeou Franquelim Alves, omitiu a informação de que o novo secretário de Estado tinha sido administrador da SLN. Houve, portanto, uma omissão de informações acerca do homem que tinha omitido informações.

Um esforço para omitir o episódio das omissões. É uma matrioska de omissões difícil de acompanhar. Parece um quadro de M. C. Escher mas com omissões em vez de escadas. Neste momento, olhar para o Governo durante muito tempo pode provocar dor de cabeça.

Como sempre, as opiniões dividem-se. De um lado, aqueles que acham que a nomeação para um cargo governativo de um homem que esteve envolvido na administração do BPN não tem mal nenhum. Do outro, as pessoas que mantêm um mínimo de decência.

Eu fiquei posto de parte, uma vez que não concordo com as primeiras e não posso, em consciência, ser incluído no grupo das segundas.

Pessoalmente, começo a ficar farto destas pequenas polémicas acerca de currículos. Qualquer coisa transtorna a opinião pública. Há meses, houve barulho porque Artur Baptista da Silva acrescentou umas coisas ao seu currículo. Agora, há barulho porque Franquelim Alves retirou umas coisas ao dele. Com franqueza, decidam-se. Não se pode ser criativo com o currículo, que este maldito cinzentismo tão português não deixa.

Analisando friamente a nomeação, constatamos que é um escândalo e uma vergonha. Isto é tudo uma cambada.

Mas, analisando-a ainda mais friamente, concluímos que talvez faça sentido.

Um secretário de Estado tem de estar preparado para gerir o dinheiro dos contribuintes. Os administradores da SLN têm muita experiência nesse capítulo. Foram lá parar 4 mil milhões de euros dos contribuintes, e parece que essa torneira continua aberta.

Além disso, a SLN tem sido designada como uma associação de malfeitores, e não é a primeira vez que alguém ajuda as autoridades depois de ter trabalhado em organizações de bandidos. Por mim, convidávamos o contabilista da Dona Branca para secretário de Estado do Tesouro e o motorista do Bibi para secretário de Estado da Juventude.

Quanto a indignações, só tolero a dos centristas. O CDS, neste momento, é o partido com o qual o povo português mais se identifica. Somos iguais. Eles também não concordam com nada do que o Governo faz, mas não têm outro remédio senão amochar.