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Com localidades nos órgãos

Boca do Inferno

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A decisão do tribunal sobressaltou todos os democratas, sobretudo aqueles que nunca esperaram ler, na mesma frase, as expressões "Valentim Loureiro" e "irregularidades"

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Por esta altura, o leitor já saberá que o Movimento Valentim Loureiro - Gondomar no Coração foi impedido de concorrer às eleições devido a irregularidades cometidas na candidatura. A decisão do tribunal sobressaltou todos os democratas, sobretudo aqueles que nunca esperaram ler, na mesma frase, as expressões "Valentim Loureiro" e "irregularidades". É especialmente cruel que um conjunto de cidadãos que albergam uma localidade nos seus corações sejam impedidos de se candidatar à gestão dessa mesma localidade. Constato com alívio que o Movimento Autárquico Independente - Chaves no Coração teve mais sorte. Assim como o "Bragança no Coração", de Júlio Meirinhos. E o "Arcos no Coração", do CDS, que parece ao mesmo tempo um movimento político e uma condição médica. E não consegui apurar se o Movimento Azeitão no Coração conseguiu participar nestas eleições, como julgo que sucedeu em 2009, mas trata-se de uma quantidade suficientemente elevada de localidades alojadas em corações para suscitar um estudo de cardiologia autárquica que, infelizmente, não tenho formação para levar a cabo.

Posso, no entanto, debruçar-me sobre o Movimento "Pessoas pelo Concelho de Belmonte" e o Movimento "Com as Pessoas, por Idanha". Parecem movimentos gémeos, mas são, na verdade, bastante diferentes. O "Pessoas pelo Concelho de Belmonte" pretende deixar bem claro que o movimento é integrado apenas por seres humanos, sugerindo que concorre contra candidaturas que incluem animais irracionais, ou até elementos oriundos dos reinos vegetal e mineral. No "Pessoas pelo Concelho de Belmonte" não veremos um javali a presidir à assembleia municipal, um saco de batatas na vereação da cultura, ou um bloco de granito à frente da junta de Maçainhas. Em Idanha, a proposta é outra. O "Com as Pessoas, por Idanha", não exclui à partida que as suas listas possam ser integradas por não-pessoas, mas promete trabalhar apenas em prol das pessoas do concelho. Do ponto de vista estratégico, faz sentido apelar apenas às pessoas, sobretudo na medida em que ovelhas e alfaces, por exemplo, costumam abster-se.

Mas o movimento mais interessante destas autárquicas concorre em Almeirim. Não afirma ter Almeirim no coração, não promete ser integrado apenas por seres humanos e não jura trabalhar apenas a pensar neles. Mas tem tudo o que um munícipe pode desejar na gestão autárquica: é informal, familiar e, por isso, próximo dos cidadãos. Trata-se do Movimento Zé Gomes. Curiosamente, é comandado por Rosa Nascimento.