Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Agora é que a salvação vai ser salvadora

Boca do Inferno

  • 333

Entretanto, e como seria lógico numa altura destas, Cavaco Silva foi visitar as ilhas Selvagens. É uma actualização divertida do conhecido inquérito de verão: em vez de "que livro levaria para uma ilha deserta?", "que sarilho levaria para uma ilha deserta?"

O FMI saiu de Portugal a meio dos anos 80. Depois, houve uma série de governos de Cavaco Silva, do PS e do PSD em coligação com o CDS. A seguir, o FMI voltou a Portugal.

Agora, Cavaco Silva, o PS e o PSD em coligação com o CDS estão empenhados em encontrar um compromisso de salvação nacional. Faz sentido: em princípio, quem atou o nó está mais bem preparado para o desatar. Estes protagonistas conseguiram, ainda que informalmente, chegar a um compromisso de destruição nacional, e portanto devem ter facilidade de estabelecer uma colaboração idêntica em tudo, só com um objectivo diferente.

O caminho é difícil, até porque Portugal tem desvantagens quase insuperáveis. Aqui, tudo é caríssimo. Comprar um banco, como sabemos, é bastante dispendioso. Mas vender um banco custa ainda mais dinheiro.

Depois de vendido o BPN, continuamos a pagar milhões às pessoas que o compraram. Primeiro, Portugal tomou conta do banco, o que custou milhões de euros; e depois vendeu o banco, o que custa milhões de euros.

O banco era presidido por Oliveira e Costa, antigo membro de um governo do PSD, e foi comprado pelo BIC, que é presidido por Mira Amaral, antigo membro de um Governo do PSD. Apesar do corte radical com o passado, as despesas mantiveram-se elevadas. Por muito criativas que sejam as soluções e se o são, meu Deus!, o resultado acaba por ser parecido.

O ideal, em tempos de crise, é não fechar nenhuma porta, como faz o PS. Enquanto negoceia um compromisso com o governo, aceita negociar um compromisso com a oposição. Ao mesmo tempo que trabalha num acordo para viabilizar este governo até 2014, vota a favor de uma moção de censura para apear este governo já.

O País pode não ter salvação, mas o PS tem, de certeza. Em caso de desastre nuclear, sobram as baratas e o PS. E, nessa altura, o PS negociará com as baratas um acordo para viabilizar qualquer coisa.

Entretanto, e como seria lógico numa altura destas, Cavaco Silva foi visitar as ilhas Selvagens.

É uma actualização divertida do conhecido inquérito de verão: em vez de "que livro levaria para uma ilha deserta?", "que sarilho levaria para uma ilha deserta?" O Presidente escolheu a salvação nacional, e é uma opção ajuizada. A salvação nacional é um sarilho interessante, que estimula muitas horas de reflexão e entretenimento.

Cavaco nem vai dar pelo tempo a passar.