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Um adolescente em cada esquina

O mundo ganhou consciência da necessidade de agir rapidamente para evitar a degradação do ambiente e por isso tomou a medida mais drástica que se pode tomar: lançou, contra todos os que recusam reconhecer o problema das alterações climáticas, a força mais exasperante e destruidora da Natureza: uma adolescente

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Finalmente, o mundo ganhou consciência da necessidade de agir rapidamente para evitar a degradação do ambiente e por isso tomou a medida mais drástica que se pode tomar: lançou, contra todos os que recusam reconhecer o problema das alterações climáticas, a força mais exasperante e destruidora da Natureza: uma adolescente. Sou pai de duas adolescentes e sei que não pode haver adversário político mais irritante, impertinente e respondão. Tenho sofrido muito às mãos destas políticas engenhosas e implacáveis. Donald Trump não sabe onde se meteu. A Greta não precisa de o convencer de que o mundo caminha para a extinção. Cinco minutos de conversa com ela e não só ele passa a acreditar que o mundo vai mesmo acabar como vai desejar que acabe o mais depressa possível. A única vantagem de Donald Trump é que, tendo ele uma idade mental que ronda os 12 anos, pode usar a estratégia infantil de tapar os ouvidos e gritar até a Greta se ir embora. Mas é muito improvável que ela se canse primeiro do que ele. Trump há-de querer ir brincar e a Greta não deixa. Nem sequer o velho estratagema de a mandar para a escola para descansar um pouco resulta, porque agora a adolescente pode argumentar que gostaria muito de ir para a escola mas não pode porque o mundo precisa dela. É xeque-mate.

Talvez este modelo de activismo extraordinariamente eficaz possa ser usado para atacar todos os outros problemas do mundo. Em sede de concertação social, os sindicatos enviam um adolescente para discutir com o patronato. Os salários passam a chamar-se mesada e ele consegue um aumento de 50% só para se calar e pôr a música mais baixa. Na Assembleia da República, os líderes das bancadas parlamentares dos partidos da oposição passam a ser borbulhosos de 14 anos. Conseguem fazer passar vários diplomas importantes a troco da promessa de irem almoçar a casa dos avós ao domingo sem fazerem cara feia e limparem o quarto. Creio que, completamente por acaso, talvez tenhamos descoberto a maneira de tornar o mundo melhor.

(Crónica publicada na VISÃO 1386 de 26 de setembro)