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Parque de campismo da Portela

Continua a ser importante não esquecer o passaporte mas também a tenda. A tenda vai ser útil para descansar – e, talvez, até pernoitar –, até ao momento de fazer o check-in

João Fazenda

Enquanto não sai um novo e muito necessário guia do viajante português, já adaptado às novas dificuldades criadas pelo turismo, avanço aqui com alguns conselhos úteis para os cidadãos que ainda pretendam utilizar o Aeroporto Internacional de Lisboa neste período de férias. Em primeiro lugar, continua a ser importante não esquecer o passaporte mas também a tenda. A tenda vai ser útil para descansar – e, talvez, até pernoitar –, até ao momento de fazer o check-in. O melhor local para montar a tenda seria junto dos balcões, mas é muito improvável que consiga chegar lá sem escolta policial. O melhor é acampar junto dos táxis. Também essencial é levar uma esfregona. Entre a choradeira das crianças aborrecidas com a espera, dos turistas que chegam com atraso e de gente cujos voos são periodicamente adiados, há muitas poças de lágrimas que, se não forem limpas, podem gerar bastante humidade na sua tenda. Passageiros que levem dois ou três dispositivos pirotécnicos são tolerados e até bem recebidos porque, na eventualidade de conseguirem chegar à zona do raio X, é apenas humano querer soltar um ou dois foguetes. A partir daqui, é ajuizado levar um bom lote de mantimentos. Por causa do constante adiamento da hora de embarque, comida enlatada e outros alimentos não perecíveis são aconselhados. Para o período em que, já a bordo do avião, se aguarda pela autorização de partida, é conveniente levar uma boa biblioteca. Quem tenha recursos para isso e tiver empenho em investir na sua educação fará bem em levar consigo um professor, e conseguirá licenciar-se ainda antes de levantar voo. Os cursos de Filosofia e História, que requerem sossego e tempo para ler e reflectir, serão talvez os melhores. A chegada ao destino também requer tramitação complexa. O viajante deve aproveitar o tempo livre para preencher a candidatura ao subsídio de desemprego, uma vez que será despedido antes de voltar a Portugal. Os atrasos nos voos de regresso, motivados pela sobrelotação do aeroporto, obrigá-lo-ão a faltar a uma ou duas semanas de trabalho. O subsequente internamento numas termas, para recuperar do stress vivido no aeroporto, eleva para seis meses o período de inactividade. Boas férias!

(Crónica publicada na VISÃo 1330, de 30 de agosto de 2018)