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Dois anos de Governo: O dia em que me transformei em Rui Santos

O Governo, depois de dois anos de estado de graça, comete erros políticos ao ritmo que Jesus dá pontapés na língua de Camões.

António Costa

Primeiro-Ministro

Para ser Jorge Jesus faltam-lhe talvez as madeixas impecáveis, a pastilha marota e o estilo jingão. De resto está lá tudo. Costa acorda a pensar em basculações político-partidárias, deita-se a reflectir sobre a defesa em linha e tem pesadelos com a táctica triangular de 1+2 (constituída por ele, pela sinuosa Catarina e pelo camarada Jerónimo) que escolheu para dar vida a um Governo que, depois de dois anos de estado de graça, comete erros políticos ao ritmo que Jesus dá pontapés na língua de Camões.

Governómetro: 13 valores

Tiago Brandão Rodrigues

Ministro da Educação

É o Eliseu do Governo: um craque a andar de mota quando festeja campeonatos no Marquês, mas um lamentável acidente quando lhe metem uma bola nos pés. Há quem diga que devia ir rodar para uma equipa em que pudesse "crescer". A da Fenprof, por exemplo.

Governómetro: 3 valores (com tendência de descida)

Mário Centeno

Ministro das Finanças

Ainda ninguém foi informado – incluindo o próprio – mas Centeno não é Centeno. Na verdade acredita-se que seja uma versão cabeluda e sorridente de Zinedine Zidane. O seu virtuosismo, aliado aos múltiplos recursos de natureza técnico-táctica que surpreendentemente possui, têm sido o maior seguro de vida de um Governo que, sem ele, já se teria metido nas drogas. Tudo indica que perderá fulgor político no próximo ano. Resta-lhe a esperança na manutenção da invejável potência capilar.

Governómetro: 16 valores

Azeredo Lopes

Ministro da Defesa

Em 2007 o Benfica decidiu contratar um jogador chamado Binya por 1,5 milhões de euros. Afastado dos seus pais (o atleta era camaronês), Binya parecia uma criança perdida em campo, tendo suscitado a atenção da Direcção-Geral da Reinserção Social. Tropeçava em colegas e adversários, acumulando lesões (nas pernas dos outros) ecartões vermelhos. Muitos estragos depois, foi reintegrado no clube suíço Neuchâtel. E pronto, é isso.

Governómetro: 6 valores

Francisca Van Dunem

Ministra da Justiça

Se alguém quiser ver a ministra da Justiça a fintar uma equipa inteira e finalizar a jogada com um fotogénico pontapé de moinho pode ficar sentado. Francisca não é uma criativa. Não inventa. Executa. A avaliar pelos resultados de algumas investigações em curso, não parece que esteja a executar mal. Tivesse um milímetro de magia e seria perfeita.

Governómetro: 13,5 valores

Adalberto Campos Fernandes

Ministro da Saúde

Se Mário Centeno carrega um Zidane dentro de si, o ministro da Saúde transporta um Ronaldo. Adalberto Campos Fernandes exibe democraticamente um killer instinct que provavelmente mais ninguém possui no Governo. Já foram várias as ocasiões em que no último minuto salvou uma equipa em estado de pré-apoplexia. Um atleta que, à imagem de Mário Centeno, tem potencial para fazer mexer o mercado de transferências.

Governómetro: 16 valores

Augusto Santos Silva

Ministro dos Negócios Estrangeiros

Que saudades dos tempos em que dizia, com sorriso infantil, que o que o divertia nos seus tempos livres não era jogar à bola no recreio, era “malhar na direita”. O peso da pasta dos Negócios Estrangeiros roubou-lhe a iluminação divina para irritar adversários, mas permitiu-lhe o acesso à idade adulta. Aos 61 anos talvez estivesse na hora.

Governómetro: 12 valores

Vieira da Silva

Ministro do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social

É o caso típico de jogador que não vemos a levar uma verdosca na cara. Mesmo quando discordam violentamente dele, os adversários fazem-lhe continência. Foi assim com Sócrates, é assim com Costa e assim será com quem vier.

Governómetro: 10

Pedro Marques

Ministro do Planeamento e Infraestruturas

Tem protagonizado algumas das maiores desilusões dos adversários ao surgir em evidência em momentos complicados. Apesar dos seus méritos pontuais, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas parece ser vítima mortal de um equívoco semântico derivado do facto de muito planear mas nada construir por manifesta falta de orçamento. Resta-lhe erguer a cabeça e seguir em frente rumo ao próximo jogo.

Governómetro: 12,5 valores

Manuel Caldeira Cabral

Ministro da Economia

Se partilhasse o balneário do Canelas 2020, o corpo do ministro da Economia seria um Atlas das nódoas negras, dada a apetência pelo bullying já demonstrada pelo exuberante Fernando Madureira, aka Macaco, líder da equipa e dos Super-Dragões. O problema de Caldeira Cabral é o facto de ser excessivo em tudo: na educação, na correcção, no fair play, na atitude - e, desgraçadamente, na ignorância sobre as regras do jogo político.

Governómetro: 10 valores

Pedro Nuno Santos

Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares

Quem tem filhos sabe o que isso é. Damos por nós a pensar que nunca deviam crescer, que deviam ser queridos póneis para sempre. Ora, em apenas dois anos, António Costa viu Pedro Nuno Santos a galgar furiosamente dos infantis para os séniores. Na equipa governativa é um Maxi Pereira na sua versão sem verruga na face. Trava, nem sempre com sucesso, as ofensivas da extrema-esquerda parlamentar. E ainda lhe sobra tempo para, por vezes, fazer o gostinho ao pé nas balizas adversárias. Sabe-se que chegará a capitão de equipa. Resta saber quando.

Governómetro: 14 valores

Bom, o Tempo-Extra fica por aqui. Provavelmente não terão reparado (eu também não, mas depois consultei as minhas notas) mas deixei atletas por analisar. Ficam para o ano. Talvez entretanto dêem sinais de existência política.