Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

A injustiça

Luís Barra

Passando ao lado de patifarias, é importante reabilitar João Bosco da Mota Amaral. Portugal precisa deste tipo de personalidades e a Europa também

O atual presidente do PSD Açores, Alexandre Gaudêncio, há dias em conversa comigo e comentando um artigo que escrevi na imprensa regional, considerou importante o PSD vir a chamar Mota Amaral para a política ativa, achando até que lhe deveria ser dirigido um convite para o Parlamento Europeu. “Assim o entenda também Rui Rio e o PSD nacional” – adiantou-me o presidente social-democrata açoriano.

Gaudêncio reconheceu ainda que o seu antecessor na liderança do PSD Açores, Duarte Freitas, esteve mal ao não incluir Amaral na lista de deputados pelos Açores à Assembleia da República, uma injustiça que data de 2015 e que se arrasta.

Recordo que o afastamento de Mota Amaral de deputado à Assembleia da República pelo então presidente do PSD Açores, Duarte Freitas, e certamente por indicação do então presidente do PSD nacional, Passos Coelho, indignou a maioria dos açorianos e ainda deputados social-democratas e de outros partidos que, fora tendências partidárias e ideológicas, sempre o respeitaram na qualidade de fundador da Autonomia Constitucional, mas também pelo pioneirismo que protagonizou ao liderar o primeiro governo próprio da Região Autónoma insular portuguesa.

Mota Amaral, ex-presidente do Governo Regional dos Açores e depois da Assembleia da República, face a suspeições levantadas em 2012 de que Passos Coelho teria recebido valores da “Tecnoforma” sem que os tivesse declarado ao Fisco e à Assembleia da República, defendeu, em reunião do grupo parlamentar do PSD, e foi o único a fazê-lo, que essa matéria deveria ter sido rapidamente esclarecida por Passos para que não houvessem daí danos políticos para o partido. E a resposta do então líder do PSD nacional não se fez esperar pois logo o presidente social-democrata açoriano, Duarte Freitas, provavelmente instruído pelo chefe, anunciou a necessidade de renovar o partido, estratégia que lhe possibilitou convidar Mota Amaral a abandonar o parlamento. Dá-se então a queda histórica dessa que foi uma das mais prestigiadas figuras da Casa da Democracia, que hoje – do mal o menos – ministra aulas na Universidade dos Açores.

Mas esta história, melhor dizendo, esta injustiça não acaba por aqui. Vai mais longe, quando Berta Cabral, então Secretária de Estado da Defesa do governo de Passos, mas – atente-se – ex-delfim de Mota Amaral no governo dos Açores, porque nomeada por este para Diretora Regional do Tesouro, depois para Diretora Regional dos Transportes da Secretaria Regional da Economia, ainda para Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, posteriormente para Presidente da Empresa de Eletricidade dos Açores – EDA e ainda para o Conselho de Administração da SATA, tudo à pala de Amaral, é apontada pelos revanchistas para substituir o seu mentor, o que a convidou para todo esse galarim, quem lhe deu a mão quando precisou, quem a trouxe para a política ativa e que tanto a promoveu e prestigiou, … e aceita. Dá-lhe o beijo de Judas e senta-se na cadeira do dinossauro, seu dedicado amigo de sempre.

Passando ao lado de patifarias, é importante reabilitar João Bosco da Mota Amaral, a sua conhecida experiência política e conhecimento profundo do país e do mundo. Portugal precisa deste tipo de personalidades e a Europa também.