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Grandes não sabem como responder aos planos nucleares do Irão e Coreia do Norte

É a mesma rotina, cada ano, em Nova Iorque. Setembro começa com o torneio de ténis US Open. Um grande espectáculo, em que o mérito pessoal é o único critério em jogo. Ganham os melhores, estamos longe da política. Segue-se a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. Tal como no ténis, são muitos os jogadores em cena. Também neste caso, o que conta é o ranking mundial. Excepto que os primeiros lugares da tabela são sempre ocupados pelos mesmos. Por muito que se fale de reforma, a verdade é que não se vislumbra qualquer hipótese de renovação do Conselho de Segurança. Quem acreditava nessa possibilidade, há dois ou três anos, passou a perceber que não há maneira.  

Este ano, a Assembleia Geral tem quatro grandes temas em cima da mesa. O processo de paz no Médio Oriente é um deles. Nada de novo, nesta frente, a não ser as recentes acusações de crimes de guerra e contra a humanidade, que teriam sido cometidos durante os confrontos de Janeiro. Não creio que seja prudente esperar qualquer tipo de progresso na resolução do conflito entre Israel e a Palestina. Como também não será dado qualquer seguimento às acusações formuladas. O direito internacional é uma das grandes vítimas deste imbróglio de interesses.

A utilização da energia atómica para fins bélicos também está na ordem do dia. Os grandes não sabem como responder aos planos de armamento nuclear do Irão e da Coreia do Norte. O que se viu nos últimos meses indicia hesitações e falta de coordenação. Existe, igualmente, profunda  preocupação face à instabilidade e ao extremismo que caracterizam o Paquistão, um Estado possuidor de um arsenal atómico e situado numa zona geopolítica estratégica.

As alterações climatéricas constituem o terceiro tema. Estamos agora mais perto da Cimeira de Copenhaga, a qual deverá resultar em acordos concretos, em matéria de redução das emissões de carbono. Vai ser um debate difícil.

Como conseguirá a China, por exemplo, responder aos imperativos do desenvolvimento da sua população, sem aumentar a quantidade de dióxido de carbono? O secretário-geral da ONU visitou, recentemente, o Norte da Noruega e testemunhou  a rapidez com que os glaciares estão a desaparecer. Por isso, tem feito de Copenhaga uma questão central.

O impacto da crise económica sobre o mundo pobre completa a agenda. O investimento estrangeiro em África deverá baixar, este ano, cerca de 16 por cento.

O decréscimo no comércio internacional, incluindo  a diminuição da procura de matérias-primas, custará às economias do Continente cerca de 250 mil milhões de dólares. As transferências provenientes dos emigrantes africanos, que trabalham noutras regiões do Globo, diminuíram, nos primeiros meses deste ano. O abandono escolar e a nutrição são os primeiros problemas resultantes da redução dos rendimentos familiares.

Logo após Nova Iorque, os principais líderes estarão em Pitsburgo, para a reunião do G20. As propostas que irão debater têm pouco que ver com o plano de acção que adoptaram na Cimeira de Washington, em Novembro de 2008. A questão da confiança na economia internacional, incluindo as medidas necessárias para assegurar o crescimento e o emprego, bem como o ponto acima escrito, da ligação entre a crise e o desenvolvimento, têm merecido escassa atenção. Apenas as dimensões periféricas, mas mais fáceis de vender ao eleitorado, dos bónus na banca ou de uma taxa vagamente indefinida sobre as transacções financeiras, parecem interessar alguns dirigentes, sempre prontos para surfar a onda do populismo mediático.