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Os britânicos ressentem-se da maneira como a classe política americana e a comunicação social têm tratado a companhia BP

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Embora o jogo contra os americanos tenha terminado com um empate, o resultado teve, para os ingleses, o travo de mais uma afronta. Não apenas porque gostam de considerar a sua equipa como uma das mais fortes do Mundial, mas também por ter acontecido numa altura de tensão política entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

Os britânicos ressentem-se da maneira como a classe política americana e a comunicação social têm tratado a companhia BP, no seguimento do infindável derrame de petróleo no Golfo do México. Apesar de ser uma multinacional, a BP está muito identificada com a psique britânica e a sua elite empresarial. É, além disso, um destino privilegiado dos fundos de pensão ingleses. Ou seja, quando perde cerca de 40% do seu valor na bolsa, como está a acontecer, são muitos os reformados, nas terras de Sua Majestade, que se sentem inquietos.

Quando o Presidente Obama diz, como o fez há dias, que gostava de dar um pontapé no traseiro do responsável da BP, a metáfora faz estrondo em Londres. Ao mal-estar político junta-se a mobilização da opinião pública. Semanas a fio, a Imprensa americana tem dedicado, em média, 35% do seu espaço à catástrofe e às suas consequências económicas e ambientais. As imagens dos pelicanos encharcados em petróleo repetem-se de modo contínuo. As reportagens fazem-se com o dedo a apontar para a gestão caótica da crise, por parte dos executivos da BP. E a lembrar que o inglês desses senhores tem um sotaque britânico.

Esses executivos estão, esta semana, em Washington, convocados pelo Presidente e pela Câmara dos Representantes. Um amigo meu, que dirigiu durante vários anos, na Nigéria, uma empresa de serviços de helicópteros, disse-me que discutir com executivos do petróleo é uma experiência devastadora. Trata-se de gente extraordinariamente arrogante, convencida que são os donos do mundo, calculadora até ao último cêntimo, indiferente aos aspectos humanos das suas operações. Rodeados de legiões de advogados e de fiscalistas, sentem-se impunes e acima das regras. Um sentimento que é reforçado por auferirem salários astronómicos e regalias inimagináveis.

A estada em Washington vai certamente revelar a atitude descuidada com que as grandes companhias de exploração de petróleo encaram a gestão dos riscos. Para não falar da rede intrincada de relações que mantêm com as seguradoras, as empresas de imagem, os institutos reguladores e certos governos.

Sem esquecer as responsabilidades que cabem à BP, há vários elementos de reflexão que não podem ser ignorados. Primeiro, pede-se mais transparência na administração de empresas com valor estratégico - conhecer melhor os actores, a rede de interesses e as capacidades. Segundo, é preciso adoptar um regime legal que leve à responsabilização criminal dos gestores, quando for necessário. Terceiro, os riscos ligados à extracção em condições extremas, como, por exemplo, a grande profundidade, devem ser melhor avaliados. Só deverão ser assumidos se existir um nível razoável de capacidade de resposta, em caso de ruptura. Quarto, as instituições reguladoras só podem ser eficazes se tiverem meios de inspecção, que verifiquem, de modo independente, as condições de operação no terreno. Quinto, é imperativo continuar a insistir no respeito por valores éticos e na salvaguarda do património natural. Sexto, os presidentes só devem pensar em pontapés se se tratar de uma bola. E apenas em desafios amigáveis, que não é altura para criar divisões entre velhos aliados.