Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Lá longe, em Bruxelas

Horizontes

Van Rompuy vai tentar empurrar Barroso para uma posição subalterna, reduzi-lo a administrador de normas e regulamentos

<#comment comment="[if gte mso 9]> Normal 0 false false false MicrosoftInternetExplorer4 <#comment comment="[if gte mso 9]> <#comment comment=" /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-parent:""; margin:0cm; margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:12.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:PT; mso-fareast-language:PT;} @page Section1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:72.0pt 90.0pt 72.0pt 90.0pt; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;} div.Section1 {page:Section1;} "> <#comment comment="[if gte mso 10]>

 

Herman Van Rompuy e Catherine Ashton continuam a atrair comentários desfavoráveis. Acentua-se, sobretudo, a falta de experiência internacional, a que se juntaria um vazio de carisma. Estas lacunas seriam partilhadas por ambos. No caso de Ashton, tem surgido um argumento mais: a escolha teria sido mais baseada no género, na necessidade simbólica de ter uma mulher num cargo visível. Os críticos aproveitam ainda para malhar nos governantes europeus, que terão optado pela obscuridade e por equilíbrios entre famílias políticas, em vez de dar à Europa uma ambição mundial.

Não discuto a valia destas opiniões. Nem quero entrar no debate sobre os méritos das personalidades escolhidas. Até porque penso que talvez acabem por contrariar os vaticínios. O tempo, que é a moeda dos sábios, dirá de sua justiça.

Gostaria, no entanto, de lembrar que decisões a este nível são eminentemente políticas. No caso concreto, a preocupação primeira era a de resolver rapidamente o assunto. Depois das demoras na ratificação do Tratado de Lisboa e do consequente desgaste político, era fundamental, para os líderes, mostrar coesão e determinação. A Suécia, enquanto país na presidência da União, estava particularmente interessada numa resolução serena e atempada das nomeações. Quando se procura consenso e rapidez, escolhe-se gente que não faça ondas. Joga-se pelo seguro. Foi isso que aconteceu.

Mas há mais. Os principais dirigentes europeus sabem que a prioridade continua a ser a crise económica. Estamos longe do fim da recessão. Bruxelas já demonstrou que não conta nem pesa na matéria. Não há, por conseguinte, tempo a perder com visões comunitárias, quando os países, sobretudo a França, a Alemanha e a Grã-Bretanha, consideram que a resposta à recessão tem que ser encontrada a nível nacional. Cada um por si, o Euro por todos, excepto para os ingleses. Nesta perspectiva, o que vale é o controlo do mercado interno, que Nicolas Sarkozy não podia deixar escapar, e do Banco Central Europeu, que cairá, a seu tempo, no regaço dos alemães. O resto é de somenos valor. Mas, como não se pode ignorar os britânicos, a opção de lhes dar as relações exteriores pareceu uma boa saída. Bruxelas é, neste momento de incertezas, apenas uma nota de rodapé.

Entretanto, Durão Barroso anunciou a lista dos comissários. A mensagem é clara, no que respeita a Sarkozy. O seu candidato, Michel Barnier, ficou com o pelouro previsto, a importante área do mercado interno e dos serviços financeiros. Mas não só. Indirectamente, a França vai poder ter uma palavra a dizer no domínio da Política Agrícola Comum, um assunto estratégico para Paris. O comissário romeno, que recebe esta pasta, é um homem muito atento aos desassossegos do Eliseu.

E os ingleses? Gordon Brown precisava de mostrar à sua opinião pública que não seria um gaulês a tratar de matérias financeiras, um assunto vital para a praça de Londres. Mas como está de partida, já não mete medo em Bruxelas. Pior ainda. A sua baronesa vai ter que se entender, ao gerir os assuntos exteriores, com dois outros comissários concorrentes, que Barroso entendeu por bem nomear: um para o desenvolvimento e outro para as relações internacionais e a ajuda humanitária. Duas matérias que pertencem à política externa. Desditosa baronesa. Não lhe estão a facilitar a vida.

A maior confusão virá, com o tempo, da complexa relação que se vai estabelecer entre os dois presidentes. Na minha opinião, Herman vai, pouco a pouco, como quem não quer a coisa, metodicamente, tentar empurrar o nosso compatriota José Manuel para uma posição subalterna, tirar-lhe espaço político, reduzi-lo a administrador de normas e regulamentos. Veremos.