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Comunicar, comunicar, comunicar, este é o segredo de uma boa política

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Há quem pense que a diplomacia requer apenas uma boa capacidade para absorver uns gins tónicos e digerir uns croquetes. Mas a verdade é que também exige muita mobilidade, boas pernas, para percorrer as diferentes capitais. É preciso familiaridade com os corredores das grandes chancelarias. Sem contactos directos não há entendimentos. Os diplomatas de combate conhecem meio mundo, olhos nos olhos, com um toque pessoal a servir de entrada para as questões mais sérias. Tudo com um sorriso maroto, que a cumplicidade profissional de quem anda nestas coisas distingue a elite dos que andam só a engraxar botas.

Vem isto a propósito do périplo em que ando esta semana. Paris, Londres, Oslo e Bruxelas, de Segunda a Quinta. Os mesmos temas - Chade, Sudão, segurança no Sahel, o papel da Líbia e da União Africana, a acção da ONU,  - analisados a partir de prismas diferentes. Que traduzem várias maneiras de fazer diplomacia, de encarar o mundo, de ver as relações internacionais da Europa, de se posicionar frente às grandes questões.

Em Paris, o Presidente da República define a agenda externa. Cada ano, em finais de Agosto, chamam-se ao Quai d'Orsay todos os embaixadores gauleses. O Presidente faz, então, um discurso sobre a política internacional, que serve de guião para os doze meses seguintes. O ministério e a máquina têm a obrigação de implementar essas orientações. O Eliseu mantém um olhar atento sobre as questões que considera prioritárias. É como se houvesse um segundo ministério das relações exteriores. Nota-se que o discurso oficial está cada vez mais longe de África. Até a França, depois de tantos anos de intervenção pós-colonial,  parece ter colocado os assuntos africanos em pé de página.

Londres faz uma diplomacia muito estratégica. As decisões são preparadas em grupos de reflexão institucionalizados. Que fazem parte da estrutura orgânica do Foreign and Commonwealth Office, o ministério dos assuntos exteriores. Como por exemplo, o Grupo de Análise de Conflitos, que prepara as posições oficiais da Grã-Bretanha sobre os países em crise, como, por exemplo, o Sudão. As intervenções britânicas no Conselho de Segurança, ou nas instâncias políticas de Bruxelas, revelam boa preparação. Deixam perceber com clareza, quando assim convém, quais são os interesses britânicos. No que respeita a África, Londres está preocupada com o acesso ao petróleo e gás, em particular no Norte do Continente, com o Sudão, Quénia e Zimbabué. E pouco mais. A cooperação mantém um peso importante na política externa inglesa. É, no entanto, influenciada pelas escolhas feitas pela política externa, no que respeita aos países que assiste, e muito ideológica, na defesa de temas à volta da boa governação. Em termos da reflexão teórica sobre a ajuda ao desenvolvimento, está à frente de muitos outros parceiros.    

Oslo tem dinheiro, generosidade e boa fé. Falando de fé, verifica-se uma transposição para a política externa do espírito de rigor e de missão que anima as mentes protestantes da Escandinávia. A Noruega tem-se mostrado especialmente activa na esfera da mediação de conflitos. Crê que tem uma aptidão natural para a resolução de disputas. Tem, por essa razão, e porque investe dinheiro na procura da paz, conseguido uma parte de leão em matéria de nomeações de enviados e representantes especiais. Um certo número destas posições de alto prestígio e poder foram e continuam a ser ocupadas por Noruegueses. Em África, a Noruega tem pela primeira vez tropas sob a bandeira das Nações Unidas no Chade.  

Bruxelas é outra loiça. A coordenação da política externa, uma tarefa que cabe ao Conselho, assenta no menor denominador comum. Os Estados mais influentes puxam cada um para o seu lado. A política em relação a África tem como base o interesse particular de um ou outro Estado influente. Se a Inglaterra está interessada na Serra Leoa, como já esteve no início desta década, a Serra Leoa entra na agenda europeia. Se a França  pensa no Chade, e faz força, o país ganha alguma relevância nos corredores do Justus Lipsius, o edifício do senhor Solana. Quanto à Guiné-Bissau, que país europeu tem peso suficiente para fazer com que a atenção se mova nessa direcção?

Assim passei a semana, que aqui partilho, muito resumidamente, com o leitor. A minha mulher disse-me, na Terça-feira, que já tenho idade para pensar em jogar golfe no Algarve. A verdade é que já houve uma época em que os clubes de golfe eram excelentes terrenos para a diplomacia. Mas hoje, as pernas são para percorrer constantemente os corredores de quem decide a agenda internacional. Comunicar, comunicar, comunicar, este é o segredo de uma boa política.