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Usain Bolt: "Mais um passo para me tornar uma lenda!"

Rui Tavares Guedes

Depois de correr os 100 metros em 9,63 segundos, Usain Bolt confessou, perante uma sala apinhada  de jornalistas, já passava da meia-noite, que foram as duas derrotas que sofreu com o Yohan Blake, nas qualificações jamaicanas, que o fizeram acordar. "Agora, provei que contínuo a ser o melhor do mundo."

Maratona em Seuk, Coreia do Sul
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Maratona em Seuk, Coreia do Sul

Desfile em Banguecoque, Tailândia
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Cambodja em protesto por melhores salários
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Milhares nas ruas em Kuala Lumpur, Malásia,
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Dia de trabalho em Jammu, Índia
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Taipei, Taiwan
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Taipei, Taiwan

Usain Bolt é uma dádiva para o atletismo, não só pelo interesse que fez despertar para a modalidade como pela visibilidade que dá a outros atletas. Mesmo que o faça, por vezes, de forma involuntária.

Cerca de meia hora depois de ter terminado a final dos 100 metros, a sala de conferências de Imprensa, no piso térreo do Estádio Olímpico de Londres, começou a encher-se de jornalistas, sabedores de que uma das regras dos Jogos é que os três vencedores de cada prova estão obrigados a apresentar-se perante a comunicação social a seguir à competição, fora da confusão habitual da zona mista. Resultado: nunca as medalhadas do triplo salto feminino (de nações como o Cazaquistão, Ucrânia e Colômbia!) tinham tido tantos jornalistas a acompanhar as suas declarações. E à medida que as conferências iam decorrendo, a sala ia-se enchendo cada vez mais e mais, pois nenhum jornalista queria perder o lugar para "programa principal da noite". Foi a sorte dos medalhados dos 3000 metros obstáculos - onde o vencedor, o queniano Ezekiel Kemboi demonstrou, com o seu poder de comunicação, porque já lhe chamaram o "mini Bolt" - das raparigas dos 400 metros e até dos rapagões do lançamento do martelo, que aproveitaram tanta gente à sua frente para se queixarem do facto da sua disciplina continuar ausente dos meetings da chamada Diamond League.

A verdade é que a sala só estava cheia por causa dos medalhados dos 100 metros. Ou antes, por causa de Usain Bolt, o alvo, durante cerca de 20 minutos, de 90% das perguntas de um batalhão de repórteres que, em muitos casos, não conseguiam esconder a sua condição de fans do jamaicano: aplaudiram a sua entrada na sala, tiravam-lhe fotos com os telemóveis, pediam-lhe autógrafos...

Só que, prestes a fazer 26 anos, Bolt já sabe como dominar qualquer ambiente, com a sua presença, com seus esgares cómicos, com os seus olhares intimidatórios quando é caso disso. E sabe muito bem como prolongar o seu carisma das pistas para as salas de Imprensa. É capaz de se rir quando lhe fazem perguntas óbvias - "Já lhe disse que odeio os 400 metros, nunca ninguém me vai ver a corrê-los, você deve ser a única pessoa nesta sala que não sabe disso", responde, fazendo soltar uma gargalhada geral - como esconde a cara quando lhe perguntam o que tem andado a comer ao pequeno almoço.

 O que lhe interessa, acima de tudo, é que em cada corrida e em cada encontro com os jornalistas fique claro o que ele pretende: "Esta final dos 100 metros foi mais um pequeno passo para me tornar uma lenda, que é o objetivo máximo que eu procuro na minha carreira." Tudo o resto, são quase pormenores.

Bolt reconheceu que foi na enorme ovação que recebeu do público, em Londres, na apresentação dos atletas para a final, que começou a ganhar a prova. "Quando ouvi aqueles aplausos, os gritos de um estádio inteiro a puxar por mim, pensei: 'Ok, estou pronto para isto. Hoje vou ganhar.'".

 Esse aplauso libertou-o, deu-lhe a confiança com que voou pela pista, de acordo com os planos estabelecidos com o treinador. "Todos sabem que eu não parto bem, e o meu treinador disse-me para eu não me preocupar com isso, apenas executar a saída de forma regular. Depois, só tinha que estar nos 50 metros entre os primeiros. Foi o que aconteceu, lá estava eu entre os rapazes. Só que os últimos 50 metros são sempre meus, é aí que eu ganho as corridas, como mais uma vez aconteceu."

"Pela primeira vez, havia muita gente a duvidar de mim, a perguntar se eu seria capaz", continuou. "Só que eu estava muito entusiasmado em defender o meu título. E aquelas duas derrotas que sofri com o Yohan Blake, nas qualificações jamaicanas, fizeram-me acordar: 'É pá, isto são os olímpicos'. Felizmente acordei a tempo. E provei que contínuo a ser o melhor do mundo."

Em vésperas do 50.º aniversário da independência da Jamaica, que se celebra a 6 de agosto, Usain Bolt enviou uma saudação especial para os seus compatriotas. E assumiu que não se importa de ser um exemplo para os mais novos. Até com orgulho: "Os miúdos sabem que eu trabalho muito, que me esforço muito para estar a este nível. Sabem que eu dou tudo o que tenho em competição. Eles não podem ser todos os mais rápidos do mundo, mas se também derem tudo o que têm, se estudarem ao máximo, podem ser bons profissionais, ser bons médicos, bons engenheiros, bons atletas, tudo o que quiserem. É esse o meu exemplo!"