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Cerimónia de abertura: as senhoras primeiro!

Rui Tavares Guedes

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Grandes potências do desporto, países europeus e latino-americanos em sintonia na escolha de mulheres para porta-bandeiras das suas delegações.

Mesmo antes de começarem, estes Jogos Olímpicos já entraram na Históoria. Dentro de alguns anos, quando recordarmos as várias edições do maior acontecimento desportivo do planeta, o capíitulo dedicado aos terceiros Jogos realizados na capital britânica terá que começar assim: "Em 2012, em Londres, pela primeira vez na história do movimento olímpico, todas as nações presentes enviaram atletas do sexo feminino."

Grande parte dessa história começa a aser escrita na cerimónia de abertura desta noite. E será bem visível no desfile dos atletas, já que muitas nações quiseram dar esse cariz simbólico às suas representações.

Num momento em que ainda não são conhecidos todos os porta-bandeiras, sabe-se, isso sim, que muitos dos países mais importantes e com maior tradição desportiva decidiram encabeçar as ssuas delegações com uma mulher. São os casos, por exemplo, de superpotências como os Estados Unidos (com Mariel Zagunis, da esgrima), da Rússia (com a tenista Maria Sharapova), da França (com Laura Flessel-Colonic, da esgrima), da Austrália (a basquetebolista Lauren Jackson) e da Alemanha (com Natasha Keller, do hóquei em campo).

Portugal escolheu, como se sabe, a judoca Telma Monteiro para porta-bandeira, a segunda atleta nacional a ter essa honra, depois de Fernanda Ribeiro nos Jogos de 1996, em Atlanta.  

Na Europa, várias outras representações vão ser também encabeçadas por mulheres, como são os casos da Bélgica (Tia Hellebaut, atletismo), da Finlândia (a nadadora Hanna-Maria Seppala), da irlanda (a pugilista Katie Taylor), de Itália (Valentina Vezzali, esgrima), da Holanda (a velejadora Dorian Rjsselberghe), entre outras.

Na América Latina, com a flagrante excepção do Brasil, grande parte dos países também escolheu mulheres como porta-bandeiras: Argentina (Luciana Aymar, do hóquei em campo), Bolívia (Cláudia Ballderrama, do atletismo), Colômbia (a ciclista Mariana Pajon), Costa Rica (Gabriela Traña, do atletismo), El Salvador (Evelyn Garcia, do ciclismo), México (Maria Espinoza, do taekwondo) e Venezuela (Fabiola Ramos, do ténis de mesa).

A lista de mulheres porta-bandeiras vai ser, de certeza, alargada nas próximas horas. Como a própria história dos olímpicos, nuns Jogos em que, também pela primeira vez, as mulheres vão entrar na competição de boxe.

Com naturalidade, mas com a fanfarra que esta escolha de porta-bandeiras acaba por soar, os Jogos de Londres enterram, de vez, o desporto dito de cavalheiros e apresentam, no seu lugar, os primeiros Jogos universais, com igualdade entre sexos, raças e credos. Como sempre foram os ideais olímpicos - embora tenham sido precisos mais de 100 anos para os tornar realidade. Esta noite!