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Ryszard Hoppe: "No Rio 2016, a canoagem vai ganhar mais medalhas!"

Rui Tavares Guedes

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O selecionador nacional de canoagem tinha prometido, há sete anos, que em Londres 2012 os portugueses iam lutar por medalhas nos Jogos de Londres 2012. Metódico, já definiu objetivos para as próximas Olimpíadas. E uma certeza: "Não conheço outra seleção no mundo que, com tão pouco dinheiro, consiga tão bons resultados."

Aos 61 anos, os últimos oito passados em Portugal, o polaco Ryszard Hoppe expressa-se num português muito razoável, fruto de um contacto permanente e direto com os cerca de 50 atletas que formam a atual seleção nacional de canoagem, nos diversos escalões. É com eles que passa, no mínimo, 200 dias por ano em estágios, a maior parte no Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho.

Esse trabalho continuado e concentrado num único local proporcionou a conquista de mais de 40 medalhas em europeus e mundiais nos últimos dois anos. E mais importante do que tudo é o facto de essas medalhas serem ganhas por atletas de várias idades e escalões: juniores, sub-21, sub-23 e seniores. Por isso, Ryszard Hoppe acredita que o "filão" da canoagem portuguesa não se esgota na medalha de prata conquistada pelo K2 1000 de Fernando Pimenta e Emanuel Silva.

"O desenvolvimento do desporto de alta competição faz-se com rigor e com tempo", diz. "Quando cheguei a Portugal, em 2005, só havia um canoísta olímpico, o Emanuel Silva. Eu disse logo que o objetivo era levar alguns atletas a Pequim, mas que só em 2012 iríamos lutar pelas medalhas. Foi isso que aconteceu. E se houver condições pora continuar este trabalho, no Rio 2016 vamos ganhar mais medalhas e levar ainda mais atletas."

Para a concretização desse objetivo, Ryzsard Hoppe diz que "não inventou nada" de especial. "Apenas, com o apoio total e decisivo da direção da Federação de Canoagem, repliquei em Portugal aquilo que se faz em todos os países fortes na modalidade, como a Hungria, a Polónia e a Alemanha. Criámos um local onde treinamos juntos. O segredo é só esse: fazer com que os atletas treinem, comam, descansem e recuperem. Todos os dias."

Embora não goste de se queixar da falta de condições e que faça questão de elogiar sempre o "trabalho de equipa" que mantém com os dirigentes federativos, Ryzsard Hoppe estranha a originalidade portuguesa: "Não conheço outra seleção no mundo que, com tão pouco dinheiro, consiga tão bons resultados."

E acha, naturalmente, que é tempo de alguma coisa mudar: "Da mesma maneira que apliquei em Portugal os métodos de trabalho existentes nos países mais desenvolvidos desportivamente, também me parece justo que os apoios sejam distribuídos em função do mérito e dos resultados que cada modalidade alcança. Desculpem lá, mas eu estou habituado a que os bons resultados deem mais dinheiro... Parece-me normal, não?" Em Portugal, no entanto, não tem sido essa a regra seguida.