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Incompreensível

Pedro Camacho

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O Presidente tem muito para explicar aos portugueses.

<#comment comment="[if gte mso 9]> Normal 0 21 false false false PT X-NONE X-NONE MicrosoftInternetExplorer4 Cavaco Silva chega ao 10º dia de crise e... agrava a crise. Foi tão incompreensível o seu discurso quanto surpreendente a sua decisão. O Presidente deixou os dois partidos da coligação à procura de uma solução conjunta, impondo-lhes inclusivamente uma participação do líder do CDS num "novo" Governo, para depois, aparentemente, nem sequer proferir uma qualquer consideração pela proposta que lhe foi apresentada por Passos Coelho.

Numa altura em que o País precisava de clareza, o Presidente consegue fazer um discurso que não elucida ninguém. Uma ronda pela Imprensa internacional é bem elucidativa: da exigência de um "governo de coligação" incluindo também o PS a uma manifestação de apoio incondicional à coligação existente, passando pelo mergulho no caos, todos conseguem tirar leituras diferentes. E, por cá, a ideia que nos transmitem as reações partidárias é pouco mais ou menos a mesma: ninguém percebeu exatamente o que quer Cavaco, e todos ganham tempo até falarem com o Presidente.

Numa altura em que Portugal precisava de decisões rápidas e claras, o Presidente prolonga o período de incerteza, faz subir o grau de dificuldade na obtenção de uma solução política e faz disparar o nível de risco imputado ao País. O que aconteceu nesta ronda de audições que tenha levado o Presidente a fazer este estranho discurso? As previsíveis considerações dos partidos da oposição? As esperadas declarações dos parceiros sociais?

O Presidente falou da instabilidade causada pela demissão de Portas e da instabilidade que resultaria da marcação de eleições antecipadas imediatas. Mas que estabilidade pode resultar da manutenção de um Governo desagregado e completamente desautorizado pela Presidência? Que estabilidade podemos ganhar com um Governo com prazo de validade estabelecido pelo Presidente e por ele estranhamente tutelado? Que estabilidade podemos esperar de um Governo "em plenitude de funções" mas cujo primeiro-ministro, aparentemente, nem autonomia tem para mudar a sua equipa de ministros? E que estabilidade podemos nós esperar de uma solução que mantém um Governo PSD-CDS dependente do apoio de um PS que está hoje claramente numa estratégia de oposição â coligação?

O Presidente tem muito para explicar aos portugueses.

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