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Um país destruído

Mário Soares

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Ficar-lhe-ia bem, e para os portugueses seria um descanso, se Passos Coelho - com um mínimo de bom senso - se demitisse

Mário Soares

<#comment comment="[if gte mso 9]> Normal 0 21 false false false PT X-NONE X-NONE MicrosoftInternetExplorer4 O Governo atual é legítimo, porque foi eleito legalmente, embora fazendo promessas que não cumpriu, antes pelo contrário. Todos o sabemos. Tudo mudou e a sensação dos portugueses, na sua esmagadora maioria, é que se trata do Governo mais destrutivo para Portugal de que há memória. Estamos, assim, à beira de uma rutura social.

Alguns ministros não podem sair à rua sem serem vaiados e insultados, de norte a sul de Portugal. Sobretudo ministros como Miguel Relvas, o falso doutor, estranhamente protegido pelo primeiro-ministro Passos Coelho que o mantém em exercício de funções, o que é considerado pela maioria dos portugueses como inaceitável. Na realidade, é preciso não ter vergonha, nem o mínimo de princípios éticos, para não ter a ideia de, espontaneamente, se demitir... Como devia já ter feito desde que se descobriu a maneira como pagou o seu "título universitário"...

Acresce que os portugueses, atingidos pelo alarmante desemprego e por cortes sobre cortes, como nunca houve em nenhum tempo, sentem-se realmente roubados por terem sofrido dolorosas baixas nas pensões, para as quais descontaram, em muitos casos, anos a fio. Mas não só nas pensões, também nos salários, nos vencimentos e pelos impostos. A classe média está a ser destruída, sistematicamente - o que é gravíssimo para o futuro - e o empobrecimento do País, a destruição das pequenas e médias empresas, a emigração forçada de académicos e de prestigiados quadros, é algo que está a acontecer todos os dias por todo o País.                             

Por outro lado, o património português está a ser vendido, a qualquer preço, deixando também para trás muitos milhares de desempregados. E as nossas excelentes Universidades estão em grandes dificuldades e a perder qualidades. Há hoje, nas grandes cidades, pessoas a procurar comida nos caixotes de lixo. Onde chegámos...

Não admira assim que os portugueses, na sua esmagadora maioria, odeiem o Governo e manifestem esse sentimento com uma agressividade crescente. Mesmo os mais abonados dos portugueses estão, de um modo geral, igualmente descontentes. As políticas de austeridade têm sido um desastre irreparável para os portugueses. É indiscutível. Até a maioria dos economistas, mesmo alguns no começo afetos ao Governo, hoje o reconhecem. A austeridade é um negócio chorudo apenas para os mercados e os magnatas que os controlam do estrangeiro.

Ao contrário do que disse e julga Passos Coelho os protestos que se têm repetido são profundamente representativos do sentimento e do estado de espírito e do desespero em que se encontram os portugueses.

O Governo - o pior de sempre em qualquer tempo - vai acabar mal, muito mal. Ficar-lhe-ia bem e para os portugueses seria um descanso se Passos Coelho - com um mínimo de bom senso - se demitisse, porque com esse gesto daria um outro fôlego ao País.

Março vai ser um mês terrível e os portugueses, desesperados, como estão, podem tornar-se menos pacíficos. É neste mês que se conhecerão os dados da execução orçamental do primeiro trimestre, o acórdão do Tribunal Constitucional sobre o Orçamento, como se espera, e ainda a sétima avaliação da troika que deverá ser discutida, desta vez, não só pelo Governo. Não haja dúvidas, a manifestação convocada para o dia 2 de março e as que se lhe seguirem irão criar ao Governo situações extremamente difíceis. Se não for o primeiro-ministro, alguns ministros irão necessariamente demitir-se.

O ministro das Finanças fez há dias uma espécie de autocrítica e reconheceu ter-se enganado sempre nas suas previsões. Porque espera para abandonar o cargo? Foi muito significativo. O futuro do Governo, vai ser, seguramente muito negro. Tudo está a azedar-se perigosamente... Ainda há dias os generais na reserva, reuniram-se em força, para discutir a situação das Forças Armadas que estão a ser degradadas e desvalorizadas. O ministro da tutela não quis participar no debate. O nosso querido Portugal está a ser destruído aceleradamente. Como talvez nunca sucedeu na nossa História. 

Todos os portugueses patriotas têm de reagir. E quanto mais cedo melhor.

 

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