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Que futuro?

Mário Soares

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Já que não podemos mudar o Mundo, nem sequer a Europa, sejamos ao menos capazes de mudar Portugal

Mário Soares

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O mundo vai mal. Mesmo - ou sobretudo - em matéria ambiental. O clima, os tufões, as calamidades, como os terramotos, a lixeira dos oceanos, o aquecimento da terra... As Cimeiras ambientais não tomam medidas, por razões políticas e económicas, e os ambientalistas tendem a calar-se, porque não são ouvidos.

A globalização desregulada, a economia virtual, os negócios usurários, baseados nos paraísos fiscais, os mercados especulativos, que tendem a dominar os Estados soberanos, estão a pôr em causa as democracias europeias e não só. A ONU, na qual, no pós-guerra, se depositaram tantas esperanças, não tem coragem de intervir quando é necessário (vide o caso escandaloso da ditadura síria e tantos outros).

As grandes potências (ou assim chamadas) começam a sentir as dificuldades do capitalismo de casino. Nos EUA, o Presidente Obama está a ter dificuldades - e se os republicanos mórmons ganhassem as próximas eleições seria uma catástrofe -, bem como a China, sua rival, que começa a ter problemas sociais e políticos inesperados.

O universo árabe, que parecia ter entrado numa "primavera democrática", afinal está a ser submerso em guerras religiosas que podem tornar-se graves... Para além do conflito Palestina-Israel que tem por perto o Irão, que espreita uma oportunidade.

A União Europeia, que há três anos parecia ser um farol de progresso e um modelo para o mundo, entrou em descrédito, com as suas instituições apáticas e paralisadas. Começou com a crise grega, seguiram-se a irlandesa, a portuguesa e a cipriota, agora a espanhola e a italiana, depois talvez a francesa. Resta a Alemanha, da chanceler Merkel, que corre de um país para o outro, sem saber o que deve fazer. Só em agosto, mês de férias, foi duas vezes à China...

Trata-se da crise do euro e da possível desintegração europeia, pior do que a crise de 1929, que deu origem à II Guerra Mundial. É para aí que caminhamos? O certo é que os responsáveis institucionais estão paralisados - bem como os países vítimas - sem saber o que fazer. Estão à espera do Godot...

Portugal, infelizmente, também vai mal. O governo neoliberal, mais papista do que a troika, tem imposto medidas de austeridade devastadoras para a população, com a intenção de diminuir o défice. Mas mais de um ano depois, a situação ficou muito pior do que estava. A recessão aumentou, com a falência de empresas e fábricas, o País empobreceu, a classe média está a ficar de tanga, o desemprego cresceu devastadoramente e, ao contrário do esperado, a previsão do défice de 2012 até aumentou dos 4,5% para os 5,8% ou os 9,5% do PIB, segundo dizem os jornais.

Além disso, o primeiro-ministro parece muito contente com a ação ou inação do Governo, como resultou do discurso aos seus jovens correligionários da Universidade de Verão. Para o ano tudo vai estar ainda melhor, disse. Lembrei-me do Pangloss de Voltaire que estava sempre no melhor dos mundos.

Vai haver privatizações - graves como disse, e bem, a ministra da Justiça - dos Correios e Telégrafos, TAP, Estaleiros de Viana, Águas de Portugal, etc. Medidas a retalho, não se sabe quem as paga e por quanto.

Os buracos financeiros - e tantos há - não foram até agora pagos, nem se sabe o que será feito deles. Parece que o melhor é não falar disso. Nem da RTP e da RDP, tuteladas pelo "dr." Relvas, ministro ao qual se aconselha estar escondido e em silêncio. Tudo vai bem, diz o primeiro-ministro, mesmo quando alguns ministros da coligação parecem não se entender nem ter uma estratégia única de ataque à crise...

Veremos o que vai ser o Orçamento de 2013 e como se comportará a troika nos próximos dias. Seguro, líder do PS, já disse que não quer mais medidas de austeridade. Tem razão. E tudo se passa com a Europa em crise. Com o primeiro-ministro que parece só querer ouvir a chanceler Merkel. Pobre País, dirão os portugueses mais atentos. O futuro que se lhes apresenta não será nada brilhante.

É preciso, portanto, que os portugueses tomem consciência disso e ajam em conformidade. Já que não podemos mudar o Mundo, nem sequer a Europa, sejamos ao menos capazes de mudar Portugal.