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A nódoa

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O homem que, há 15 anos, abandonou a selecção nacional a reclamar uma varridela na "porcaria", parece incapaz de afastar a nódoa do fracasso, sempre que é treinador principal

Já lá vão quase 15 anos desde que, após uma derrota com a Itália e consequente afastamento da equipa nacional do Campeonato do Mundo de 1994, Carlos Queirós anunciou que abandonava o cargo de seleccionador nacional, dizendo que era preciso "varrer a porcaria" que existia na Federação Portuguesa de Futebol. Passado todo este tempo, a dita "porcaria" deverá ter sido varrida, uma vez que Queirós aceitou voltar ao cargo. O que parece não ter desaparecido de todo foi a nódoa que mancha a carreira deste treinador português, que, depois de, com Nelo Vingada a seu lado, se ter sagrado bi-campeão do mundo de juniores, nunca mais conseguiu sucesso na tarefa de treinador principal.

À excepção de uma Taça de Portugal e uma Supertaça do Japão, Carlos Queirós não ganhou rigorosamente mais nada. E conseguiu a proeza de sair, quase sempre, zangado com quem o contratara. Isto nos 21 anos de carreira que já leva desde que assumiu o comando dos escalões de formação da selecção nacional. É verdade que não podemos esquecer os títulos todos conquistados em Inglaterra, ao serviço do Manchester United. Mas, esses, meus amigos, ficarão para a história na conta - choruda, por sinal - de Sir Alex Ferguson. Um mestre do futebol mundial que, por muito que custe a algumas mentes brilhantes do futebol escrito deste país, já era um campeão antes do bom do Queirós aparecer por terras de Sua Majestade.

O regresso do "professor" à casa de partida parece mesmo uma volta ao passado. Depois de Portugal se ter habituado a estar presente nas fases finais das grandes competições - durante a ausência de Queirós, a selecção nacional só falhou a presença no Mundial 1998 -, voltamos a ver as coisas negras. Não é pelo facto do próximo Campeonato do Mundo se realizar na África do Sul, mas porque nos quatro jogos que já realizou na fase de qualificação, a equipa orientada por Carlos Queirós ter conseguido deixar nos adeptos a sensação de que está de volta a "porcaria". E, pelo caminho que a coisa leva, não me admiraria nada que, daqui as uns meses, venhamos a ouvir, de novo, o "professor" a exigir varridelas. Pode ser que, nessa altura, não seja ele o único a sair...