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Perfil

  • Guaparivás

    A mãe senta-se no leito, bem próximo da filha. Juliana espreita o copo e pergunta: essa água é engarrafada? A mãe pousa o copo e observa a revista em cima da mesinha de cabeceira

  • Matar o mar

    Afundando os pés na areia, desatou aos tiros. Disparava contra as ondas, contra as gaivotas, contra as nuvens. De repente, tombou desamparado

  • As cinzas

    Os reflexos da chama acendem luzes no pavimento que a mulher vai esfregando. Os joelhos de Laura apagam essas repentinas estrelas. Aos poucos, a mulher torna-se mais escura, mais funda que o próprio chão

  • As mãos, as mães

    Nasço todos os dias e, assim, trago-a de volta, disse apontando uma fotografia pendurada na parede. Espreitei a imagem. Era uma bela mulher, mestiça, olhos escurecidos pela tristeza, cabelos sobre os ombros como uma cascata de lava

  • A borboleta

    Não sei se reparou, Marlene, que tratamos de Recursos Humanos. E sempre de olhos baixos, ironizou: Humanos, está a perceber? Borboletas, não são da nossa competência. E mandou que se pulverizasse a sala com um inseticida. Desses inodoros, acrescentou. Em pânico, Marlene fingiu acatar a ordem

  • Pássaros cegos

    No caminho de regresso, o meu pai seguiu à frente, peito enfunado, passos determinados ecoando sincopadamente pelo hospital. Regressava não a casa mas ao seu passado militar. Foi oficial do Exército até ao dia em que a nossa mãe morreu. Nesse dia, deixou tombar no chão a farda, as divisas e a arma e saiu em roupa interior pela porta do quartel