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Amália, a memória e o coração

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Leia a crónica e (desta vez) veja e ouça aqui o que leu contado pelo piano de Júlio Resende

Nestes últimos 3 anos a Amália tem-me deixado pegar-lhe na mão e levá-la por todo o Mundo! Portugal, Japão, México, Estados Unidos, França, Alemanha, Timor Lorosae... É sempre magistral para mim terminar cada concerto a solo com este dueto vindo de um lugar extra-físico, de um lugar onde os nossos talentos e a nossa inspiração se encontraram, sem necessitarmos de estar juntos. Um encontro onde todo o meu corpo vibrou como uma tempestade. Que posso eu dizer sobre tudo isto que tu me deste Amália? Posso chorar. Isso de certeza. Que nenhum corpo pode conter tanta emoção sem derramar para a terra. E a terra bem precisa de muita água. Mas também me rio muito muito Amália, de felicidade por me teres escolhido, por me teres dado a mão e por me lançares às feras: porque todo o artista tem de começar por ser um domador. Ensinaste-me tanta coisa! As pessoas que te escutam nunca mais são as mesmas. Porque ninguém esquece o que o coração memoriza. Só a cabeça esquece. O coração nunca. Dizem-me, por todo o mundo, por todo o mundo repito, que nunca ouviram nada assim! Azarados, muitos deles nem sabiam que um cantar assim existia! E eu digo-lhes que nunca mais existirá. Pelo menos cá por baixo. Dia 6 de Outubro, foi também o dia em que decidiste regressar ao sítio de onde todos nós que te escutámos e todos os portugueses sabem de onde vieste: o céu.

Amália, canta-me um fado.