Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

O candeeiro número 1047 da rua da Constituição

Histórias portuenses

Germano Silva

LUCILIA MONTEIRO

Foi sob a a luz de um candeeiro da rua da Constituição, nas imediações da desaparecida Fábrica de Salgueiros, que se fundou um dos mais populares clubes de futebol do Porto - o Sport Comércio e Salgueiros

A Republica dava os primeiros passo, ainda vacilantes, quando se fundou no Porto (8 de dezembro de 1911) uma coletividade para a prática do futebol a que foi dado o nome de Sport Grupo e Salgueiros. Foram seus fundadores, João da Silva Almeida, o "Joaninha", Henrique Medina, que viria a celebrizar-se como pintor de retratos, e Jorginho. As reuniões que haviam de estar na base da fundações do clube realizavam-se na rua da Constituição, sob a luz do candeeiro número 1047, perto da atual rua da Fábrica de Salgueiros, que evoca a antiga unidade fabril a que aqueles três rapazes andavam ligados. Era costume na época as pessoas, especialmente as das classes laboriosas, usarem a via pública para fazer reuniões de grupos, organizar tertúlias, fazer debates.

Criado o clube, com apenas vinte sócios, que pagavam cada um uma cota mensal de um vintém (menos do que um cêntimo) tratou-se logo a seguir de angariar fundos para a compra de uma bola de couro e dos equipamentos. O Jorginho teve uma ideia: estava-se na época natalícia. E se os elementos do grupo saíssem, aí pelas ruas da cidade, a cantar as Janeiras? A ideia vingou e assim se angariou o primeiro dinheiro para a compra do equipamento: 2.800 reis. Os primeiros jogos realizaram-se no campo da Arca de Água, hoje praça de Nove de Abril. As camisolas que eram inicialmente brancas, foram tingidas de vermelho por um mestre tintureiro da Fábrica de Tecidos de Salgueiros a que pertencia a maioria dos sócios do clube. O Sport Grupo e Salgueiros começou a participar em torneios oficias na época de 1915/1916. E, entretanto, muda de nome para Sport Porto e Salgueiros.

Na zona da rua da Constituição fundara-se também um clube igualmente vocacionado para a pratica do futebol mas que era integrado quase que exclusivamenet de gente dedicada ao comércio - o Sport Comércio. Quando, por 1916, as entidades que superentendiam o desporto começaram a admitir na participação das provas oficiais apenas clubes que tivessem campo próprio, aqueles dois clubes fundiram-se num só com a designação de Sport Comércio e Salgueiros que ainda hoje se mantém, embora o clube esteja muito longe dos tempos áureos de outrora.

Germano Silva

Germano Silva

Nasci em Penafiel no ano de 1931. Ao tempo que isso vai! Mas vim para o Porto com menos de um ano de idade e foi aqui deitei raízes e me fiz homem. Aos 11 anos comecei a trabalhar como marçano, num retroseiro da rua de Santa Catarina. Depois fui operário, primeiro numa fábrica de fósforos e, depois, noutra, de lanifícios, ambas em Lordelo do Ouro. Tive uma breve passagem pela secretaria do Hospital de Santo António e cheguei ao jornalismo em 1956, como colaborador desportivo, no Jornal de Noticias. Sou jornalista profissional desde 1959. Comecei , no JN, claro, como estagiário e ali passei por todas as fases da profissão: estagiário, repórter informador, repórter, redator, subchefe e chefe de Redação. Numa tão longa carreira colaborei também noutros jornais: Expresso, de que fui correspondente no Porto; Flama, Jornal Novo, O Jornal e, por arrasto, digamos assim, a Visão de que também fui delegado na Invicta. Mas nunca me desvinculei do JN de que me aposentei em 1996. Foi como “ repórter da cidade “ , neste jornal, que me especializei na história da cidade do Porto que, modéstia à parte, hoje domino com relativa facilidade. Daí que os meus temas nestas crónicas andem, invariavelmente, ligados à história da cidade do Porto. E, como era de esperar, julgo eu, sou portista.