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Uma eficiente operação de marketing

FERNANDO VELUDO / NFACTOS

Durante alguns anos, no estabelecimento onde se vendia o café do Brasil, que era moído à frente do cliente, oferecia-se, gratuitamente, a cada freguês, uma chávena do saboroso café com a finalidade que habituar o público, em geral, ao sabor amargo da popular bebida.

O antigo café “A Brasileira”, o mais prestigiado palco de tertúlias políticas/culturais do Porto dos idos de cinquenta, do século passado, onde os homens de esquerda se sentavam à direita; e os da direita à esquerda, vai reabrir, brevemente, como hotel de luxo.

O primitivo estabelecimento, fundado por um arouquense, Adriano Telles, sob a designação comercial Telles & Cª., foi inaugurado no dia 4 de maio de 1903, e apresentado ao público com “o fim exclusivo de abastecer o mercado portuense de café do Brasil das melhores procedências “.

O local da cidade (rua de Sá da Bandeira) onde se montou o estabelecimento não foi escolhido ao acaso. O troço da citada artéria estava novinho em folha, ficara concluído no ano anterior e situava-se num dos polos de maior desenvolvimento da cidade: a chamada baixa portuense.

Com a inauguração de “A Brasileira“, começa também a publicação, quinzenal, de um jornal, com o mesmo nome do café, propriedade, naturalmente, da firma Telles & Cª. A publicação define-se como “órgão de propaganda da casa especial do café do Brasil“.

E foi nas colunas do seu jornal que Adriano Telles explicou o significado do título que deu à loja: “… homenagem sincera às damas brasileiras que possam proteger a nossa missão com o meigo influxo dos seus encantos e pelos créditos da produção agrícola que é a maior riqueza do seu ubérrimo país…”

A publicação de um jornal por parte de uma empresa comercial, nos primórdios do século XX, foi uma novidade que o público saudou com entusiasmo. O jornal durou até 1916. Foram publicados 80 números. Mas a mais curiosa operação de marketing dos donos de “ A Brasileira“, foi outra.

Durante alguns anos, no estabelecimento onde se vendia o café do Brasil, que era moído à frente do cliente, oferecia-se, gratuitamente, a cada freguês, uma chávena do saboroso café com a finalidade que habituar o público, em geral, ao sabor amargo da popular bebida.

O êxito foi tal que no dia 28 de Julho de 1903, dois meses depois da inauguração de “A Brasileira“, a Câmara Municipal de Barra Manso (Brasil), de onde era originário o café comercializado por Telles & Cª, prestou homenagem a esta firma, enviando lhe uma mensagem de felicitações e reconhecimento, “pela leal e inteligente propaganda que estava a realizar em beneficio do principal produto de exportação “ daquela região do Brasil. Era já o marketing no seu melhor.