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As lendas da Senhora e do Senhor da Ajuda

Lucília Monteiro

As lendas assiciadas à singela mas elegante capela que se ergue na margem direita do rio Douro

Na margem direita do rio Douro, um pouco adiante do sítio onde, em tempos idos, funcionaram os estaleiros da Ribeira do Ouro, junto ao atual largo de António Cálem, a meio de uma pequena elevação, envolvida pela ramaria verde do arvoredo que a circunda, ergue-se, com seu alpendre, uma singela mas elegante capela da invocação de Nossa Senhora e do Senhor da Ajuda, a que andam ligadas duas ingénuas mas curiosas lendas.

Diz a primeira lenda que uma tal Catarina Fernandes, mulher de um embarcadiço de Miragaia, tivera um sonho durante o qual lhe aparecera Nossa Senhora a ordenar-lhe que fosse junto a uma fonte que ficava cerca do local onde hoje está a capela e que ali iria encontrar uma pomba branca pousada sobre um ramo de um pequeno arbusto e que, escondida por este, encontraria uma imagem da própria Virgem que devia retirar dali.

Catarina teve artes de convencer o marido a acompanhá-la na jornada até junto à ribeira do Ouro e, no local que lhe fora mostrado no sonho, lá estava a pomba branca e escondida, debaixo dos arbustos, acharam a imagem da Virgem que, diz também a lenda, o casal levou para sua casa, “com grande alegria e reverência…”

Tempos depois a imagem foi colocada no interior de uma capela, mandada fazer pelo casal, junto da tal fonte. E à imagem deram o nome de Senhora do Ó por ter sido encontrada no dia e que se fazia a festa à senhora da Expectação ou do Parto.

O tempo foi passando e muitos anos mais tarde demandaram a barra do rio Douro, nove navios ingleses. Um deles ao passar diante da capela onde estava a imagem da Senhora do Ó parou. Alarmaram-se o comandante e os tripulantes por não encontrarem muito que justificasse tal imobilidade. E foram baldados todos os esforços feitos no sentido de fazer com que o navio prosseguisse a viagem, como acontecera com os outros. Mas, não. O barco parecia agarrado ao fundo do rio.

Começa aqui a segunda lenda. A bordo deste navio que se recusava a continuar a subida do rio Douro, viajava uma imagem de Cristo Crucificado que um grupo de católicos ingleses , que também estavam a bordo, haviam trazido de Inglaterra para a furtar aos desacatos que, por aqueles tempos, ali eram constantemente cometidos pelos hereges ingleses .

Lembrou-se então o mestre do navio de que a bordo vinha aquela imagem e ordenou que a desembarcassem e levassem até à capela que estava ali perto. Diz a lenda que mal a imagem entrou no pequeno templo o navio reiniciou a subida do rio Douro.

Moral da história: o Cristo Crucificado queria apenas juntar-se à imagem de sua Mãe e ali ficou passando o pequeno templo a ser conhecido, depois disso, por capela da Senhora e do Senhor da Ajuda põe quem os calafates e os carpinteiros navais dos antigos estaleiros do Ouro tinham uma grande devoção.