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A morte da imperatriz

O centenário Grande Hotel do Porto, na rua de Santa Catarina, é, sem sombra de dúvida, uma lenda

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Se, no panorama hoteleiro do Porto, existe algum estabelecimento do género que possa ser considerado como uma lenda, o centenário Grande Hotel do Porto, na rua de Santa Catarina, é, sem sombra de dúvida, o estabelecimento que corporiza essa lenda.

Passaram por ele algumas das mais grades figuras da política, das artes e da literatura portuguesas e, também, muitos estrangeiros notáveis. Dos nossos, Eça de Queirós, por exemplo, era cliente assíduo. Do belo miradouro, da época áurea do ferro forjado, situado na parte mais alta do edifício, escreveu memoráveis cartas para o seu amigo Ramalho Ortigão; o Politico republicano Afonso Costa foi detido no Grande Hotel do Porto, na sequência do golpe militar de Sidónio Pais em Dezembro de 1917.

O nosso Assis Pacheco, que se hospedava neste hotel sempre que vinha ao Porto, tem o seu retrato exposto na parede de uma sala emblemática ao lado dos retratos de muitas outras individualidades. E foi num dos quartos do Grande Hotel do Porto que, na fria manhã do dia 28 de dezembro de 1889, exalou o seu último suspiro a imperatriz D. Teresa Cristina Maria, filha do rei Francisco I das Duas Sicílias e esposa de D. Pedro II, o último imperador do Brasil que era filho do nosso D. Pedro IV.

Acontecera o seguinte: em 15 de Novembro daquele ano, o marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República no Brasil e D. Pedro II e a imperatriz foram obrigados a deixar a pátria e tomar o rumo do exílio. Rumaram primeiro para Lisboa onde se demoraram muitos poucos dias. Da capital vieram para o Porto, onde haviam estado, em 1872, em visita oficial. Desde o início do exílio que era desejo do casal imperial, acolherem-se à hospitaleira cidade do Porto onde, quarenta anos antes, havia sido recebido com a mais acolhedora simpatia, outro soberano exilado: o rei Carlos Alberto da Sardenha.

A morte, num quarto do Grande Hotel do Porto, daquela que no Brasil era, geralmente considerada como a “mãe do povo” causou no imperador um profundo sentimento de dor. Tão profundo que pouco tempo resistiu à morte da esposa. Com efeito, dois anos depois, a 15 de Dezembro de 1891, D. Pedro II morreu em Paris, onde se exilara.