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Santo António do Penedo

Histórias portuenses

Que ninguém dúvida é da popularidade de que Santo António goza entre os portuenses, nomeadamente junto dos comerciantes

A capela portuense de Santo António do Penedo, assim denominada por ter sido construída em cima de uma rocha, foi demolida em 1886, para aí se abrir a Rua Saraiva de Carvalho e permitir a ligação ao tabluleiro superior da Ponte Luís

A capela portuense de Santo António do Penedo, assim denominada por ter sido construída em cima de uma rocha, foi demolida em 1886, para aí se abrir a Rua Saraiva de Carvalho e permitir a ligação ao tabluleiro superior da Ponte Luís

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Quando, em 1788, publicou a primeira edição da sua “Descrição Tipográfica e Histórica da Cidade do Porto”, o beneditino Agostinho Rebelo da Costa equivocou-se ao escrever, nesse livro, que a capela de Santo António do Penedo, que existia, por aquele tempo, no Porto, no sítio então chamado de Carvalho do Monte, hoje largo do Primeiro de Dezembro, “foi a primeira (capela) que em Portugal se consagrou ao mais conhecido santo português“ – o nosso Santo António de Lisboa, claro. Mentira.

A capela portuense de Santo António do Penedo, assim denominada por ter sido construída em cima de uma rocha, não pode ter sido a primeira igreja que em Portugal se construiu em louvor de Santo António, porque se sabe que a de Lisboa sendo, embora, de 1767, substituiu um pequeno templo, que já ali existia, muito mais antigo, que o terramoto de 1755 destruiu, e que devia ser muito anterior, sem dúvida, à capela portuense.

Agora do que ninguém dúvida é da popularidade de que Santo António goza entre os portuenses, nomeadamente junto dos comerciantes.

As lojas de peso e trato, isto é, a grande maioria dos estabelecimentos de comércio portuenses, sejam eles mercearias, cafés, tabernas ou retrosarias, estão permanentemente sob a proteção de Santo António cuja imagem, no interior de um pequeno oratório, ou nicho, os comerciantes colocam na loja, ainda hoje, em lugar de relevo.

Tempos houve em que se fazia uma grande festa ao Santo António na desaparecida capela de S. Roque que ficava à entrada da rua do Souto e onde aquele santo português tinha altar privativo. Os mordomos dos festejos eram os rapazes solteiros das redondezas.

O mesmo acontecia no largo de S. Domingos; em Massarelos; na capela de Nossa Senhora da Lada, à Ribeira; e na igreja do mosteiros da serra do Pilar, do outro lado do rio, em Gaia.

Mais: houve um tempo em que as tabernas e estalagens do Souto e dos Pelames; e as albergarias de “boas tarimbas, excelentes acomodações para pessoas assim como para cavalgaduras“, iluminavam os nichos do santo padroeiro dos bons negócios que também ornamentavam com flores.

Não há dúvida de que, no Porto, o santo mais festejado do burgo é o S. João que tem por domínio os folguedos nos arraiais populares. Ao passo que o santo António conquistou dos portuenses a devoção. O povo invoca-o para a resolução de assuntos bem simples como ajudar a encontrar um objeto perdido; consertar uma bilha que se quebrou; ou ajudar animais doentes a recuperar a saúde.

A igreja de Santo António dos Congregados, junto à estação ferroviária de S. Bento, é, talvez, o templo mais expressivo da devoção dos portuenses a Santo António.