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S. Vicente padroeiro do Porto

Lucília Monteiro

Há muito boa gente, portuenses incluídos, que julga ser o S. João o padroeiro da cidade do Porto. Mentira.

S. João é o padroeiro da festa brejeira mas não tem o padroado da cidade. Atualmente, a padroeira é Nossa Senhora de Vandoma que, nos idos de cinquenta, do século XX, substituiu no cargo, se assim se pode dizer, S. Pantaleão, que o ocupava, digamos assim, desde o século XV.

O que muito pouca gente sabe é que o primeiro padroeiro do Porto foi S. Vicente, esse mesmo, que também o é de Lisboa. A história desta ligação do mártir S. Vicente ao Porto conta-se rapidamente.

Diz a tradição que o nosso primeiro rei, tendo sabido, aí por 1176, que o corpo de S. Vicente estava sepultado no cabo que agora tem o nome do santo, ordenou que fossem transferidos para Lisboa. Mas que antes teriam que passar por Braga, considerada, desde tempos imemoriais, a capital católica de Portugal.

Na viagem para Braga o cortejo passou pelo Porto e a azémola que transportava a urna com os restos mortais de S. Vicente entrou, inadvertida e deliberadamente na catedral no interior da qual morreu subitamente. Isso foi entendido como um sinal de que S. Vicente desejava que os seus despojos ficassem ali. Mas só ficou um braço e S. Vicente foi entronizado como padroeiro da cidade do Porto. E manteve-se no cargo até ser destronado, como acima se diz, em 1453, por S. Pantaleão.

O curioso da história é que todos os anos, no dia em que a Igreja faz a festa em honra de S. Vicente, o altar deste, no transepto da Sé, aparece todo florido e com uma lamparina votiva acesa. O que quer dizer que o culto a S. Vicente não caiu no esquecimento dos portuenses.

Mas há mais: no século XVII, quando S. Vicente já não era o padroeiro do Porto, um tal Francisco de Carvalho, de Melres, em Gondomar, que ali possuía um olival, comprometeu-se a oferecer, todos os anos, dois almudes de azeite que seria utilizado para que a lâmpada do altar de S. Vicente estivesse sempre acesa, de dia e de noite.