Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

O sítio de Fradelos

Histórias portuenses

Germano Silva

Este curioso nome, que outrora designou um monte, um rio e uma rua, no mínimo, há muito que desapareceu da toponímia portuense. Mas o povo continua a usá-lo

Este curioso nome de Fradelos, que outrora designou um monte, um rio e uma rua, no mínimo, há muito que desapareceu da toponímia portuense. Mas o povo continua a usá-lo e, quando fala da parte alta da rua de Sá da Bandeira diz “lá em cima, em Fradelos“. Mesmo a capelinha da invocação de Nossa Senhora da Boa Hora que se situa na esquina das ruas de Guedes de Azevedo e Sá da Bandeira, o antigo sítio de Fradelos, ainda hoje é conhecida por capela de Fradelos.

A origem deste topónimo não está muito bem esclarecida. A mais antiga versão diz que remonta ao século XII e que vem referido no documento da doação do couto do Porto que a rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, fez ao bispo portuense D. Hugo. Na descrição dos limites do couto, constante do documento, lê-se o seguinte: “… e daí pelo monte dos cativos; e daí por onde parte Cedofeita, com Germalde; e daí pela cortinha dos frades; e daí pelo canal maior…” Ora, segundo uma antiquíssima tradição, a cortinha dos frades terá sido o lugar onde existiu, em tempos remotos, um convento que por ser pequeno era de fradinhos e dai o Fradelos.

Mas subsistem dúvidas, nomeadamente acerca da existência, ainda que remota, de um mosteiro no sítio de Fradelos. O que se sabe, isso sim, é que junto do tal monte de Fradelos, que ainda no século XVIII era terra alcantilada e fragosa, havia, desde tempos muito antigos, uma fonte junto da qual estava um nicho com a imagem de Nossa Senhora da Boa Hora. A devoção popular a esta imagem é que deu origem à atual capela e ao culto à padroeira. Já agora, uma curiosidade: o tal Guedes de Azevedo que deu nome a uma rua atrás citada, foi um abastado capitalista que, nos finais do século XIX ofereceu à Câmara do porto alguns contos de reis para serem aplicados em melhoramentos na artéria a que depois (1901) a edilidade deu o nome dele. E assim se passa à posteridade…

Germano Silva

Germano Silva

Nasci em Penafiel no ano de 1931. Ao tempo que isso vai! Mas vim para o Porto com menos de um ano de idade e foi aqui deitei raízes e me fiz homem. Aos 11 anos comecei a trabalhar como marçano, num retroseiro da rua de Santa Catarina. Depois fui operário, primeiro numa fábrica de fósforos e, depois, noutra, de lanifícios, ambas em Lordelo do Ouro. Tive uma breve passagem pela secretaria do Hospital de Santo António e cheguei ao jornalismo em 1956, como colaborador desportivo, no Jornal de Noticias. Sou jornalista profissional desde 1959. Comecei , no JN, claro, como estagiário e ali passei por todas as fases da profissão: estagiário, repórter informador, repórter, redator, subchefe e chefe de Redação. Numa tão longa carreira colaborei também noutros jornais: Expresso, de que fui correspondente no Porto; Flama, Jornal Novo, O Jornal e, por arrasto, digamos assim, a Visão de que também fui delegado na Invicta. Mas nunca me desvinculei do JN de que me aposentei em 1996. Foi como “ repórter da cidade “ , neste jornal, que me especializei na história da cidade do Porto que, modéstia à parte, hoje domino com relativa facilidade. Daí que os meus temas nestas crónicas andem, invariavelmente, ligados à história da cidade do Porto. E, como era de esperar, julgo eu, sou portista.