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Desafie-se, seja bom!

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Talvez um dos maiores desafios da sua vida seja ser bom, para si e para os outros, escreve Margarida Vieitez, lembrando que "muitas pessoas que não conseguem amar-se pelas mais variadas razões procuram nos seus namorados e companheiros esse mesmo amor, esperando que esse amor que deveriam ter por si, seja por eles preenchido"

Você é bom para si ou, de vez em quando, diz: “Que estúpido/a!”, “Só faço asneiras!”, “Sou sempre o mesmo parvo/a!”?

E com o seu companheiro/a? Você é bom para ele/ela?

Agora, apenas falta perguntar-lhe: Você esforça-se para ser bom com todas aquelas pessoas que o rodeiam, como seja a sua família, os seus amigos, colegas, conhecidos, mesmo quando eles têm comportamentos e atitudes desajustadas ou inaceitáveis que o magoam e ferem, ou pensa de imediato em retorquir “na mesma moeda”?

Todos nós, num ou noutro momento da nossa vida, podemos ter a tentação de nos tratarmos de forma menos bondosa, para não dizer agressiva, ou mesmo proferir expressões que nos magoam e nos fazem sentir ainda pior do que nos sentíamos.

Algumas pessoas, repetem-no vez após vez, sem terem a consciência do quão nefasta essa atitude se pode revelar na sua autoestima, autoconfiança e bem-estar emocional e psicológico.

Não viemos, nem estamos no mundo, para nos fazermos mal a nós próprios, para nos chamarmos nomes feios, para nos desvalorizarmos, desqualificarmos ou incapacitarmos. Sim, é verdade, somos todos “feridos” de imperfeição, e por sua vez temos todos relações imperfeitas, mas isso não significa que a sua missão seja tornar-se ainda mais imperfeito, focando-se nas suas imperfeições e ampliando-as até à exaustão, de lupa na mão, vinte e quatro sob vinte e quatro horas.

Será que não tem nada mais para fazer? Será que não o faria sentir melhor ser melhor para si, aceitar as suas “nuvens”, “relâmpagos e trovoadas” como fazendo parte de si, olhar para o céu azul e para o Sol da sua vida e focar-se naquilo que acontece de bom dentro e fora do seu coração?

Pense no seguinte: se não conseguir ser bom para si, amar-se, valorizar-se e cuidar-se, desculpar-se e perdoar-se, focar-se nas suas aptidões e talentos, descobrir os seus dons (pode ter a certeza que os têm!), pensar bem de si e ser amoroso consigo, todos os maus tratos ou negligência com que se autopune apenas o vão fazer sentir ainda maior desamparo, desespero, raiva, angúustia, ansiedade e solidão.

Muitas pessoas que não conseguem amar-se pelas mais variadas razões procuram nos seus namorados e companheiros esse mesmo amor, esperando que esse amor que deveriam ter por si, seja por eles preenchido. E sabe o que acontece depois? A maioria destas relações torna-se conflituosa ou torturante para o outro e acaba.

Sabe porquê? Porque Amor de um companheiro não substitui o Amor próprio e, ninguém gosta de namorar, viver ou casar, com uma pessoa que não tem Amor próprio. Pode até tentar ajudar o outro (típico nas mulheres derivado do seu instinto maternal!), mas vai cansar-se, e a relação vai transformar-se numa odisseia existencial derivada do desgaste emocional que implica tentar convencer o companheiro que precisa e merece amar-se e ser amado.

Assim, quando escolher um companheiro/a, tente conhecer e perceber como ele/ela se trata a si próprio pois, a forma como se trata a si próprio e como se relaciona com os outros é uma informação preciosa que lhe irá permitir conhecê-lo/a muito para além das aparências.

Necessidade de atenção permanente, dependências várias, desrespeito por si próprio e pelo seu corpo, dramatização, comportamentos repetidos de intolerância, cobrança, falta de empatia, inflexibilidade e rigidez, dificuldade em aceitar-se, perdoar-se e perdoar, assim como repetidas autocríticas, vitimização e necessidade constante de validação exterior, são alertas!

A origem da dificuldade de gostar de si e de ser bom para si, na maioria das situações, é a ausência de Amor durante os primeiros anos de vida. São os nossos pais, família e pessoas mais próximas que nos ensinam a amar e a ser bons para nós e para os outros. Pode igualmente ter acontecido os seus pais terem apenas lhe ensinado a ser bom para os outros e, presentemente, essa crença estar presente no seu dia a dia, sentindo que deve agradar a todos, independentemente de isso significar prejudicar-se e esquecer-se de si.

Lembre-se, a vida é o maior presente de Deus!

Se ninguém lhe ensinou a amar-se, fazer-se bem e ser condescendente e compreensivo com as suas limitações, a olhar para si com terno amor e afeição (muito para além do egocentrismo e narcisismo!), saiba que está sempre a tempo de aprender. Garanto-lhe, este passo vai fazer todo a diferença na sua vida.

Muitas das pessoas que passam pela sua vida e que têm gestos, atitudes ou comportamentos menos agradáveis e bondosos para consigo, travam uma luta existencial no sentido de perceberem porque a sua vida não corre como desejam, sem nunca chegarem a uma conclusão. Sabe porquê? Porque o que têm está sempre aquém das suas expectativas, e pensam que a culpa dos seus desaires, frustrações e ansiedades é dos outros. Então, a necessidade de “contagiar” os outros com as suas emoções negativas derivadas da sua falta de amor próprio e desilusões, tornam o ar viciado e qualquer ambiente tóxico. Muitas delas acabam por afastar quem gosta verdadeiramente delas e ficar cada vez mais sós.

Talvez se começassem por parar e pensar porque se sentem assim, aprendessem que é possível, ainda que ninguém lhes tenha ensinado, a ser boas para si próprias e a gostar verdadeiramente de si. Porque é sempre possível aprender a gostar mais de si, a respeitar-se e a ser bom para si.

E é uma pena que não se fale e escreva mais e mais sobre estes temas! Na família, na escola, na televisão, nas revistas… e que ainda não existam outdoors com slogans : “Seja bom para SI e para os OUTROS!”. Talvez começássemos a transformar o mundo em que muitos se estão nas tintas para os outros, num mundo em que todos se respeitam, cuidam e preocupam com os outros.

Lembra-se da última vez que disse ao seu companheiro/a que estava exausta/o, e ela/ele fez um escândalo por ter deixado um prato na mesa?

E quando lhe pediu para ir levar os miúdos à escola na manhã seguinte para dormir um pouco mais e ele/ela se negou?

Ou quando lhe disse que precisava de tempo para si?

Ou quando lhe revelou que gostava muito de ir ver aquele filme que tinha estreado e ele disse “nem pensar!”?

Ou quando lhe pediu um favor muito importante e ele nem quis saber?

Ou quando lhe pede repetidamente para pôr o som mais baixo porque está com dor de cabeça, ou para desligar o computador ou telemóvel porque gostava de conversar, e é como se estivesse a falar para uma parede?

Muito para além da falta de Amor e empatia, estes comportamentos refletem a total ausência de bondade e respeito.

Quando escolhemos uma pessoa para ser nosso companheiro é presumível que gostamos dela, que nos preocupamos com ela, a respeitamos, que cuidamos dela amorosamente, que lhe queremos e fazemos bem.

Nos últimos anos, ao acompanhar casais, tenho vindo a aperceber-me que muitos deles ignoram completamente o significado de se fazer bem e aprenderam a fazer-se mal. É isso que fazem um ao outro, dia a dia: Mal! E quando pergunto se gostam um do outro, dizem os dois que sim.

Ora, se gostar de alguém significa fazer-lhe mal, então em que se traduzirá o não gostar?

Muitos casais precisam redescobrir o significado da palavra “Amor” e da expressão “Amar”. Abram-se escolas para ensinar o que é o Amor, a bondade, a generosidade, a empatia!

Já imaginou uma relação em que os dois tem como prioridade fazer o bem um ao outro? Isto não é um ideal, existe em algumas relações ainda que imperfeitas.

Sabe quando é possível? Quando o egoísmo cede lugar à bondade!

Muitos amigos precisam conhecer o que é ser amigo de verdade, demonstrar bondade e perdoar ainda que tenham razão e se sintam magoados. Ser amigo é ser bom para o outro, e ser bom envolve interessar-se, cuidar, perdoar, tolerar, compreender, colocar-se no lugar do outro, mesmo que seja difícil e tentar sentir o que o outro está a sentir.

Amor e Amar são sinónimos de ser Bom e de fazer o bem. Não o contrário!

E ainda que lhe façam mal, escolha fazer o bem e perdoar.

Não estou a afirmar que fique ao lado de quem lhe faz mal ou que tenha na sua vida pessoas que não lhe fazem bem. Estou apenas a dizer que lhes perdoe o mal que lhe fazem e que, se for o caso, as deixe, simplesmente, ir…

Deixar ir… é o caminho para encontrar pessoas que sabem fazer o bem, a si próprias e aos outros.

Lembra-se daquele sujeito que apita freneticamente no carro de trás assim que o sinal fica verde?

Recorda-se da última vez que quis mudar de via de rodagem, fez o pisca e ninguém o deixou passar?

E quando estava a entrar no seu prédio, com vários sacos pesados, e o seu vizinho fez de conta que não o viu e fechou a porta do elevador na sua cara?

Recorda-se quando o seu chefe, sabendo que era o aniversário do seu filho, lhe pediu um trabalho às seis da tarde?

E quando foi a um serviço público e o funcionário falou consigo com sete pedras na mão?

As situações são aos milhares no seu, no meu, no dia a dia de todos nós.

O que ganham as pessoas que não conseguem ser boas para as outras? Parece-me que nada.

O que ganham as pessoas que conseguem ser boas para as outras e tudo fazer nesse sentido? Ainda que não sejam vistas, reconhecidas, valorizadas, não tenham fama, sucesso, dinheiro…todas elas têm o coração cheio de Amor e de esperança de que é possível desafiarmo-nos a ser melhores pessoas e a crescer em Amor!

Já imaginou como seria um mundo em que o Amor pelo Criador, por si próprio, pelo próximo, fosse uma realidade, e SER BOM consigo e com os outros fosse espontâneo e natural?

Já imaginou como se sentiria se todos a partir de hoje aceitassem o desafio de SER BONS?

Sim, eu sei que está a pensar: mas como será possível todos o aceitarem?

Sim, nem todos o aceitam, porque nem todos compreendem a urgência de o ser, assim como não acreditam que o planeta está à beira de um colapso ambiental se não se tomarem medidas drásticas.

Mas, se você o compreende e faz sentido para Si,

Comece hoje mesmo a SER BOM para Si, para o seu Amor, para os seus amigos, para o próximo!

Sim, o desafio é grande, mas a Alegria e Paz são maiores ainda!

www.margaridavieitez.com

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Margarida Vieitez

Margarida Vieitez

RELAÇÕES

Margarida Vieitez é especialista em mediação familiar, de conflitos e aconselhamento conjugal, e dedica-se há mais de 20 anos ao estudo e acompanhamento de conflitos de diversa ordem, nomeadamente, familiares, conjugais e divórcio. Detentora de seis pós graduações, entre as quais, em Mediação Familiar pela Universidade de Sevilha, em Mediação de Conflitos e, em Saúde Mental, ministrou vários cursos de Mediação Familiar no Instituto de Psicologia Aplicada, estando frequentemente presente em conferências e seminários. Autora de vários livros, dentro os quais, "O melhor da vida começa aos 40", "Sos Manipuladores" e "Pessoas que nos fazem Felizes" .