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Luís Lima

Wolfgang Kaehler/ Getty Images

Ao promover o investimento não só através da compra de ativos, como também através da reabilitação do património existente, que estava muito degradado, estes programas foram a bomba de oxigénio de um setor que se encontrava absolutamente estagnado

Desde que tomei posse no meu primeiro mandato à frente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) que a internacionalização do setor imobiliário tem sido uma das minhas principais bandeiras.

Num mundo globalizado como aquele em que hoje vivemos, acredito verdadeiramente que a captação de investimento e a diversificação de mercados devem fazer parte do planeamento das empresas do setor, não só numa perspetiva de desenvolver negócios e diversificar a carteira de clientes, mas também para que noutras latitudes, possamos adquirir conhecimento e experiência do que é bem feito e pode e deve ser replicado no nosso País.

Foi neste âmbito que a APEMIP e a APCMC (Associação Portuguesa de Comerciantes de Materiais de Construção), promoveram um projeto conjunto, cofinanciando pelo COMPETE 2020, de promoção do mercado imobiliário junto de mercados estratégicos, que passou pelo Dubai, São Paulo e Paris, e que culminou no Salão “A Place in the Sun”, que se realizou de 10 a 12 de maio.

Sei que os problemas habitacionais que se vivem nas principais cidades portuguesas têm promovido um certo populismo à volta do investimento estrangeiro, que é percecionado como algo negativo junto de algumas pessoas, que consideram que o os estrangeiros são os responsáveis pelo aumento dos preços das casas.

No entanto, esta perceção é injusta e errada, sobretudo tendo em conta que o investimento estrangeiro o grande impulsionador da recuperação do setor imobiliário.

Para muitos empresários, a internacionalização é uma resposta óbvia para os desafios que se apresentam nos mercados nacionais, algo que tivemos oportunidade de confirmar aquando a crise económica em Portugal, pelo impulso dado com a criação de programas de captação de investimento como o Regime Fiscal para Residentes Não Habituais (RNH) ou o programa de Autorização de Residência para Atividades de Investimento (vulgarmente conhecido como Vistos Gold).

Ao promover o investimento não só através da compra de ativos, como também através da reabilitação do património existente, que estava muito degradado, estes programas foram a bomba de oxigénio de um setor que se encontrava absolutamente estagnado.

Com este impulso, promoveu-se a criação de emprego, nomeadamente no setor da construção (para a reabilitação de ativos) ou do turismo.

Toda esta dinâmica trouxe dinheiro, e muito, para Portugal, não só por via dos impostos diretos como IMT, IMI ou Imposto de Selo, mas também por via dos impostos indiretos. Isto, sem falar na dinamização de muitos outros sectores como o do mobiliário, hotelaria ou restauração. Se juntarmos os 9 a 11 mil milhões de euros gerados pelo RNH aos mais de 4 mil milhões de euros gerados pelos Vistos Gold, o investimento estrangeiro só em imobiliário já terá gerado um total de investimento de mais de 15 mil milhões de euros.

Falamos de barriga cheia quando apontamos o dedo aos estrangeiros e os culpamos dos problemas habitacionais que hoje se vivem, que são graves, sim, mas também são consequência da ineficácia do planeamento habitacional a longo prazo em Portugal, que falhou sobretudo na promoção da dinamização do mercado de arrendamento.

Estas questões exigem hoje uma intervenção do Estado, por forma a promover políticas de habitação através do incentivo à construção a custos controlados, para a colocação destes ativos no mercado a preços acessíveis para a classe média/média baixa, ou através da criação de incentivos fiscais que estimulem o mercado a potenciar o aparecimento de alternativas habitacionais.

Felizmente, o dinheiro captado pelo setor imobiliário (e pela sua internacionalização), que não é pouco, pode bem ser o ponto de partida para a criação destas condições.

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Luís Lima

Luís Lima

Presidente da APEMIP