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Filipa Namora

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ARQUITETURA E INTERIORES

Espaços escuros vieram para ficar na moda

Ambientes escuros têm conquistado um lugar de destaque por todo o mundo. Na verdade, eles conferem uma imagem nobre, imprimem aconchego e denotam ousadia

Muitos são aqueles que adoram os tradicionais ambiente claros, talvez por ser uma escolha segura, intemporal e que na verdade dá liberdade para arrojar mais em acessórios e apontamentos. No entanto, no decorrer de todas as viagens que tenho feito, venho cada vez mais a aperceber-me que ambientes escuros têm conquistado um lugar de destaque por todo o mundo. Na verdade, eles conferem uma imagem nobre, imprimem aconchego e denotam ousadia. No que diz respeito ao design de interiores de uma habitação, um dos espaços onde se tem apostado mais nesta linha começa a ser em cozinhas, onde cada vez mais tons escuros são combinados com pedras e madeiras.

Já nas salas, por exemplo, se for adepto de ambientes escuros, evite o uso da cor preta sobretudo em sofás ou tapetes, pois são elementos com uma dimensão e proporção grande. Sugiro tons cinza ou terra que combinados com pedra ou madeira, como o eucalipto fumado, transmitem uma imagem bastante sofisticada, sobretudo se for sem brilho. Recordo que uma sala é, acima de tudo, um espaço que deve tranquilizar e acalmar do frenesim do dia a dia, ou seja, que nos faça sentir bem.

Um tipo de serviço onde tenho assistido cada vez mais ao uso de ambientes escuros é na restauração, sobretudo, quando pretendem atingir uma gama alta. Eles desinibem. São confortáveis, conferem luxo e requinte. Convidam-nos também a saborear mais um copo e a descontrair. Um outro ponto também importante é que quanto mais escuro for a imagem deste tipo de espaços, mais o serviço se irá destacar, especialmente no que diz respeito a fotografias para às redes sociais.

Esta questão na verdade, tem sido um fator de peso no desenvolvimento e criação de projetos.

Em Portugal, um novo conceito que foi introduzido recentemente neste sentido, sendo sem dúvida mais arrojado, é em contexto de ginásios, pensados de forma mais fancy e cool. Isto resulta sobretudo para as redes sociais, em que os cenários e os materiais mais escuros compõem imagens cada vez mais apelativas, deixando de ser tabu o uso do preto.

Independentemente de ser uma moda ou não, ambientes com tons mais baixos também proporcionam sensação de profundidade. Como resultado, serão sempre espaços mais confortáveis, que emocionalmente nos relaxam. Veja, não é por acaso que os reality shows televisivos têm cores fortes nas paredes ou no mobiliário. Já pensou na razão desta escolha? Cores despertam sensações. Tanto nos tranquilizam como nos irritam.

É, no entanto, impreterível não nos esquecermos que a iluminação é um elemento crucial no que diz respeito à criação destes espaços. A luz revela formas, realça cores e cria cenários. Iluminação indireta deve ser abolida.

E aqui vos deixo uma pequena sugestão: “Quando todos forem promessa, sê atitude! “. Sem medo. Não se arrependerá.

Filipa Namora

Filipa Namora

ARQUITETURA E INTERIORES

Natural do Porto, Filipa Namora (1986) é mestre em arquitetura pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Divide a sua atividade profissional entre a arquitetura e, sobretudo, design de interiores. Neste âmbito, tem desenvolvido diversos projetos em várias cidades do país, incluindo espaços de hotelaria (de um hotel centenário em São Pedro do Sul a alojamentos locais de gama média-alta no Porto), bares, restaurantes e várias moradias de luxo. Em cada projeto aposta na autenticidade do espaço e tenta criar uma atmosfera de charme, requinte e conforto. Odeias clichês e não dispensa um bom copo de vinho.