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Coaching, o novo normal

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As pessoas estão mais abertas e ávidas por metodologias que as possam ajudar no seu desenvolvimento pessoal e autoconhecimento

“Dou um pontapé numa pedra e saem lá debaixo 10 coaches. Esta expressão foi proferida por um coach, com quem tive a oportunidade de estar em algumas sessões, e que ilustra o boom que se tem assistido nesta actividade.

A principal razão está do lado da “procura”. As pessoas estão mais abertas e ávidas por metodologias que as possam ajudar no seu desenvolvimento pessoal e autoconhecimento. Hoje em dia, já não se tem vergonha quando se diz que se tem um coach, aliás, em alguns meios já é reconhecido como uma boa prática.

Do lado da “oferta”, as razões para o crescimento desta profissão são várias. Alguns profissionais enveredaram por esta via por uma questão de necessidade, ou seja, são pessoas com muitos anos de experiência mas que com a crise (ou mesmo sem ela) viram-se na contingência de ficarem desempregados e, apesar de verem reconhecidas as suas competências, não conseguiam encontrar colocação no mercado de trabalho. Assim, fizeram algo que muitos não conseguem, ou seja, transformaram o seu conhecimento num serviço e conseguiram monetizá-lo. Outros, simplesmente, optaram por explorar esta área por verem um negócio interessante, e claro, muitos fazem-no por pura vocação.

O que é um Coach?

A International Coach Federation (ICF) define coaching como: “Uma parceria com clientes (coachees) que tem por base um processo provocador e criativo de forma a inspirá-los e a maximizar o seu potencial pessoal e profissional”. Mas eu diria um pouco mais, pois um coach será alguém que ajude uma pessoa a passar do seu estado actual para o estado onde pretende estar, seja a nível de carreira, relacionamentos, propósito na vida, ou simplesmente num estado onde se sinta bem com o próprio e com a vida. O coach ajuda-o a ter esta visão e a dar-lhe ferramentas para atingir o seu objectivo.

Existem assim vários tipos de coaching, como: Business Coaching, Career Transition Coaching, Executive Coaching, Sales Coaching, Performance Coaching, One-to-One Coaching, Group Coaching, Life Coaching, Wellness Coaching, Confidence Coaching, Relationship Coaching, Personal Development Coaching. E cada um, consoante a experiência e conhecimento que tem pode optar por ser um coach numa destas áreas. Claro, que deverá a priori garantir os certificados necessários.

Mas ser coach é (tem de ser) muito mais que um negócio. Um coach tem muitas vezes um papel decisivo na vida daqueles em que “toca”, logo se esta actividade for um mero negócio não dará a necessária atenção, emoção e tempo às necessidades de cada um.

Quando consultar um Coach

É um óptimo sinal que as pessoas estejam a ser pró-activas na procura deste apoio, mas é tão, ou mais importante, que os coaches estejam preparados para apoiarem, darem as respostas certas, e usarem as metodologias adequadas. A vantagem daqueles que são pró-activos é que vão “atacar” o problema (antes de ser um problema) e a sua causa, antes deste se tornar crónico ou estar em fase terminal. Quando se chega a esta última etapa, muitas vezes, já só é possível actuar sobre o imediato (e visível) e isso não resolve a origem do problema, pelo que a probabilidade de reincidência é maior. Indo um pouco mais além nesta analogia com a “doença” e as visitas ao “médico” pode dizer-se que, por exemplo, quando pretende mudar de carreira, esta situação deve ser planeada, tal como quando pretende praticar um desporto de forma intensa deve fazer um check-up, ou tão somente ir ao médico perceber se isso lhe pode trazer lesões. Se antes da mudança de carreira identificar as empresas-alvo e confirmar que tem as competências para ter sucesso, haverá uma menor probabilidade de se lesionar, ou seja, ser despedido ou simplesmente ficar numa situação pior da que está.

E é neste planeamento que o coach pode e deve ter um papel de suporte para, por exemplo, ajudar a perceber os seus pontos fortes e ajudar a desenvolver os pontos a melhorar, de forma a, no final, fique com uma melhor consciência de si. Mas o coach também pode ser somente alguém com quem possa debater ideias e assuntos que não pode falar com mais ninguém. Este tipo de coach é mais usual para lugares de direcção, tipicamente Directores Gerais, CEOs, Administradores, pois como sabe: “it’s lonely at the top”, o topo é um lugar isolado.

Percebendo tudo isto, as organizações mais sofisticadas já contratam coaches para ajudarem os seus colaboradores, e não só para gestores de topo.

Mas, o factor mais importante é que é cada vez mais frequente, e normal, as pessoas requisitarem ajuda e conhecimento a estes profissionais. Este é um sinal de inteligência e humildade, duas qualidades muito valorizadas, mas que nem sempre coabitam. A verdade é que ninguém encerra em si todo o conhecimento nem todas as soluções para os problemas que tem de enfrentar no dia-a-dia, por isso um coach pode ser uma preciosa ajuda na contextualização, relativização e procura da solução para muitos temas.

Cuidados a ter

O coaching é uma actividade pouco ou nada regulada, e sem barreiras à entrada, ou seja, praticamente qualquer pessoa pode tirar um certificado de coach. Temos ainda alguns institutos ou escolas que comercializam “formações-expresso”, ou seja, em poucos dias de aulas dão um certificado.

Assim, deverá ter em atenção os profissionais que escolhe para trabalharem consigo. Quem quiser vir a ser um coach deverá também ter a capacidade de seleccionar as melhoras escolas nacionais ou internacionais que lhe providenciem as melhores ferramentas para poder actuar junto dos futuros coachees.

Será assim fundamental conseguir seleccionar o coach que mais se adapta às suas necessidades. Deverá efectuar essa escolha numa fase em que não esteja à “beira do precipício”, pois é nessa fase que está mais frágil e susceptível de tomar decisões radicais e precipitadas. O processo de coaching demora tempo a fazer efeito (e nem sempre acontece, pois também depende muito do coachee, e do tempo, energia e foco que este despenda no mesmo), pelo que se espera resultados imediatos dificilmente os terá.

* (O autor escreveu este texto com base na ortografia antiga)

Ricardo Gonçalves

Ricardo Gonçalves

EMPREGO

Ricardo Gonçalves é hoje Co-founder da Collectiv, onde ajuda empresas a crescer. Esta mudança recente veio ao encontro do seu espírito empreendedor, e permite-lhe levar para outro nível o conhecimento de pessoas e organizações que acumulou ao longo de quinze anos na área de Executive Search. Esteve na Amrop entre 2001 e 2016, onde cresceu pessoalmente e profissionalmente. Para tal muito contribuíram os vários projectos pelos quais foi responsável, sempre ao nível de recrutamento de top e middle management. Participou ainda num programa de desenvolvimento interno que o levou para Amrop Dinamarca. Experiência esta que foi complementada com o término do MBA (iniciado na Universidade Católica) na Copenhagen Business School.