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Sente falta de Amor?

Talvez a falta de Amor seja mesmo a “peste” do século XXI! Será que estamos também “programados” para suprir a falta de Amor que sentimos?

A nossa mente e corpo avisam-nos quando precisamos beber água, comer, ter calma, descansar, dormir…

E quando sentimos falta de Amor e precisamos mais do que tudo sentirmo-nos amados?

Será que existe um qualquer “botão” a pressionar que tenha como função carregar a nossa “bateria do Amor”?

E quando pensamos que é quase impossível acontecer?

Quando sente sede, bebe água, quando sente fome, sabe que precisa comer, quando se sente muito ansioso, sabe que tem de ter calma, quando se sente exausto, sabe que tem de descansar e quando sente sono, sabe que deve dormir, verdade?

E quando sente falta de Amor? O que faz? Consegue esquecer? Nega? Procura-o? Desespera?

O que podemos fazer quando sentimos falta de Amor?

Falta de Amor para connosco mesmos, dos outros para connosco ou as duas coisas ao mesmo tempo!

Será que esse “botão” existe mesmo?

Sabia que quase todas as pessoas sentem uma espécie de vergonha em dizer que sentem falta de Amor por elas próprias e dos outros para com elas?

Muitas sentem como se estivessem a dizer algum disparate, algo sem qualquer sentido, como se fosse pressuposto termos sempre total Amor próprio, total Amor dos outros, e vivêssemos na sociedade da felicidade total.

Algumas também sentem medo e culpa de dizer que sentem muito pouco amor por si ou que os seus companheiros/as não as fazem sentir amadas/os.

Sabia que muitas dessas pessoas se soubessem que podiam expressar verbalmente o que sentiam poderiam ter evitado entrar em estados depressivos mais ou menos profundos com todas as consequências dai advenientes?

Porque será que o número de casos diagnosticados de quadros depressivos (fora os não diagnosticados!) não para de aumentar?

Porque é que somos um dos Países da Europa com maior venda de antidepressivos e ansiolíticos, com o maior número de divórcios, mais violência doméstica e homicídios no seio conjugal, para não falar do número de suicídios que está a aumentar cada vez mais, inclusive nas camadas mais jovens?

Entre muitas razões, talvez a falta de Amor seja uma das mais evidentes.

Porque muitas pessoas continuam a pensar que sentir falta de Amor é normal e aceitam ser pouco amadas ou mesmo muito mal-amadas, com receio e medo de perder o que muitas vezes só existe mesmo na sua imaginação?

Porque existem crenças e mitos completamente obsoletos, entre os quais o de que sentir amor próprio é vaidade e de que não existe uma bela história de Amor sem muito sofrimento! Tudo mentiras!

O que está acontecer com o Amor que geneticamente viemos programados para sentir por nós mesmos e pelos outros, e que muitos dizem sentir por nós mas que na “prática” é zero?

Será que esta sociedade de consumo está a “consumir” e “perverter” o conceito de Amor, ou nos está a querer tentar impingir um “Amor falsificado” por nós mesmos e pelos outros?

Pela minha experiência acompanhando casais, o modelo “Vale quase tudo!” tende a predominar. Agressões verbais, físicas e constante desrespeito apresentam tendência acentuada para serem relativizados e não interpretados como situações graves, inaceitáveis e reveladoras de uma total falta de Amor.

A idealização do que é uma relação de Amor, as dificuldades em ter uma relação de compromisso pensando que irá encontrar um “pacote melhor”, de se amar a si próprio frente a todas as exigências que lhe são diferidas (ou que se auto impõe), o sentimento crónico de não se sentir amado pelo companheiro e familiares e, ainda assim, não o dizer com todas as consequências daí advenientes… a sensação que muitas pessoas transmitem de que vivem numa espécie de “selva dos afectos” na qual tentam sobreviver…ainda não é generalizável, mas creio que para lá caminha!

A falta de Amor paira…

Será que um destes dias vamos ao supermercado e encontramos a prateleira do Amor enlatado, chegamos a casa e comemos as referidas latas olhando para a televisão, Facebook, Instagram, SMS e WhatsApp, tudo ao mesmo tempo?

Somos uma criação tão espantosa quanto maravilhosa! Viemos programados para sabermos o que precisamos a cada momento, viver e sobreviver!

Por vezes escolhemos sobreviver quando poderíamos simplesmente viver!

Até sabemos que precisamos exercitar o nosso corpo pois caso contrário ficaremos cada vez mais limitados, sentimos a necessidade de conhecer sítios e pessoas diferentes, embora tenhamos receio de sair da nossa zona de conforto e o desconhecido nos provoque medo e ansiedade…

Temos consciência de que quando sentimos alguns sintomas estranhos temos de ir ao médico e quando estamos doentes precisamos parar um pouco…

Conseguimos intuir quando o namorado, companheiro, amigo ou colega de trabalho não está nos seus melhores dias e perguntamos-lhe o que se passa com ele…

Temos a capacidade de identificar as nossas emoções e, senão dizer e demonstrar que estamos zangados ou tristes, o nosso rosto dificilmente o consegue esconder, quem sabe para dar sinal e alguém nos ajudar!

Quando enfrentamos problemas mais ou menos complexos, adversidades, momentos difíceis vamos buscar forças a um qualquer sítio desconhecido, descobrimos recursos inimagináveis e ultrapassamos, não uma, mas milhares de provações desde que nascemos, enquanto crianças, adolescentes, adultos, menos jovens…

Muitas das situações resolvemo-las, outras resolvem-se por si próprias, outras ainda, não têm resolução, tendemos a resistir-lhes, mas acabamos por ter de as aceitar para conseguir seguir em frente.

E quanto à falta de Amor? O que fazemos habitualmente quando a sentimos? Não damos importância, verdade?

E quando ela começa a manifestar-se de outras formas? Continuamos a não dar importância e encontramos mil e uma razões para o nosso cansaço, irritação, desmotivação, desinteresse, falta de sono, stress, ansiedade, angustia, tristeza…

Só quando todos esses alertas, sabiamente dados pelas nossas emoções, são ignorados dia a após dia, e o nosso corpo começa a tentar comunicar connosco e dizer-nos para nos darmos Amor, com uma dor de cabeça insistente, dores nas costas, no estomago, na barriga, constipações sucessivas… vamos finalmente ao médico.

Muitas vezes os próprios médicos não encontram uma causa física para tal. Ficam ainda mais surpreendidos quando escutam e conversam durante algum tempo com o paciente e observam que ele começa a reanimar-se, a sorrir, à semelhança de uma flor que esteve sem água durante algumas horas e depois e colocada numa jarra com água.

Muitos médicos de família sabem do que falo! Em alguns casos eles são a única “fonte de Amor e vida” de milhões de pessoas espalhadas por esse mundo fora…

Todos, em algumas fases da nossa vida podemos sentir falta de Amor por nós próprios, falta do Amor dos outros e algum tipo de incapacidade de dar Amor aos outros.

Todos o sentimos! Não existe ninguém que nunca o tenha sentido!

Mas, todos lidamos com essas mesmo realidades de forma muito diferente.

A mensagem que aqui lhe quero deixar é que quando o sentir não resista, não ignore, não meta no “sótão” da sua mente. E tenha atenção, porque as suas emoções e os alertas que o seu corpo lhe dá são mesmo importantes.

Pode acontecer não estar consciente dessa falta de Amor e ela estar arrumadinha no seu inconsciente, embora dando sinais, uns aqui outros ali…

Quando sentir falta de Amor, aceite-o e coloque-se a seguinte pergunta:

O que me impede de sentir mais Amor por mim? Porque não consigo amar? O que me faz aceitar amores “pobres”?

Sabia que estas três realidades são tão próximas e interinfluenciam-se tanto, quanto o Sol a Lua e a terra.

Sabia que esse “botão” para aumentar o Amor por si próprio existe mesmo, encontra-se do lado esquerdo do seu peito, chama-se coração e você tem a responsabilidade de cuidar dele o melhor que conseguir?

Coloque a sua mão direita sobre o seu coração, sinta-o bater e comece hoje mesmo a cuidar dele como ele merece ser cuidado: com muita Atenção e Amor!

Escute o que ele lhe diz! Ele gosta muito de si e precisa do seu Amor, atenção, compreensão, valorização, aceitação.

O medo, a culpa, a ansiedade, a exigência desmesurada consigo próprio, o alimentar pensamentos que lhe fazem sentir mal e pequenino, são inimigos do seu coração, e seus inimigos.

Quando o seu coração estiver mais agitado, converse com ele e repita: “Está tudo bem! Gosto muito de ti, também!”

O Maior Amor do Mundo está dentro de si! Por vezes pode sentir que o procura, procura e não encontra. Mas, acredite ele está muito mais perto do que imagina!

O nosso Criador criou-nos de uma forma tão espantosa quanto deslumbrante e a nossa capacidade de voltar a sentir intenso Amor por nós mesmos, mesmo com algumas ou muitas marcas (que todos temos!) é uma realidade ao seu alcance. O próprio Jesus Cristo quando esteve na terra ensinou a amar os outros como a nós próprios.

Podemos e devemos amar-nos!

Sentir falta de Amor é apenas um sinal dado pelo seu coração de que precisa olhar e conversar com ele. Ele também se sente sozinho e precisa tanto de conversar consigo quanto você com ele.

Imagine que o seu coração é um jardim. Que flores e árvores escolheria plantar? Que cores escolheria? Feche os olhos e imagine esse mesmo jardim durante alguns segundos!

Comece agora a escolhê-las e a plantá-las! Comece agora a fazer algo por si!

Não tem ninguém que lhe dê um abraço agora, abrace-se com força! Você é importante! Você merece! Você tem um Amor infinito dentro do seu coração. Dê-o a si próprio e comece a dar também aos outros. Sorria e receba sorrisos! Ajude e seja ajudado! Perdoe e seja perdoado! Quando começar a abrir o seu coração a si mesmo e aos outros, mesmo aos desconhecidos, todo o Amor que tem dentro de si vai começar a revelar-se e a surpreendê-lo.

Faça uma lista daquilo que mais gosta em si, das suas conquistas e dos momentos de maior felicidade. Ande com ela e leia-a muitas vezes!

Sonhe alto, deixe ir o medo, a antecipação, a culpa, o perfeccionismo, o passado, o futuro, a validação dos outros…

Pense menos e tente sentir mais. Cada momento é irrepetível.

Esqueça o sucesso, a fama, as casas, os carros…eles não sabem amar, nem o fazem sentir amado!

Apetece-lhe comer algo especial, vá comprar, faça e coma!

Apetece-lhe ir a um restaurante, cinema, passear, viajar, mesmo que não tenha companhia, vá na mesma.

Esteja com amigos e pessoas que realmente lhe façam bem e não que sejam tóxicas, suguem a sua energia e Amor próprio.

Acredita em Deus? Converse com ele! Existem estudos científicos que comprovam que as pessoas que acreditam e conversam com Deus todos os dias têm menos ansiedade e propensão a ter uma tensão arterial dentro dos valores considerados normais.

Você tem dentro de si todo o Amor que precisa! Precisa é acreditar que ele existe e saber como o descobrir e sentir no dia a dia!

E, se ele por alguma razão ou razões adormeceu, precisa despertá-lo! Dar-se valor e redescobrir esse Amor!

Sim, claro que também precisamos do Amor dos outros, especialmente de quem amamos.

Mas, existem momentos na nossa vida em que os outros podem não ter, transitoriamente, essa mesma disponibilidade para nos dar atenção e amar, ou estarmos sozinhos, e, então, há que “arregassar as mangas” com a nossa própria capacidade e sustentabilidade de nos amarmos e amarmos os outros.

Quando a transitoriedade se transforma numa situação definitiva ou é inata, a incapacidade do seu companheiro de dar e receber Amor o fazem sentir existir uma parede entre os dois, e a falta de Amor dele/dela por si lhe entra olhos adentro e o faz sentir pequeno e que não merece ser amado…, não cale, não finja, não faça de conta, não o aceite.

Se tem um companheiro e sente falta do seu Amor, ele precisa de o saber e você precisa de o dizer. Os dois precisam conversar.

Por vezes o simples facto de os dois aceitarem o enorme desafio de falar sobre o que sentem produz uma enorme mudança na forma como interagem e uma significativa aproximação.

As emoções precisam de ser identificadas e libertadas!

O que sentimos precisa de ser expresso! Quando não o fazemos adoecemos!

A falta de Amor próprio cuida-se!

A falta de Amor dos outros pode ser compreendida a partir das nossas dificuldades e das dificuldades dos outros!

A falta de Amor por nós e a incessante procura desse Amor nos outros pode chamar-se de dependência, dar origem a relações de mero apego e causar muito sofrimento!

A falta de Amor pode ser curada com um ou mil abraços que dissipem o medo e façam a falta de Amor desertar!

Abrace-se e deixe que o abracem, sem medos!

www.margaridavieitez.com

Margarida Vieitez

Margarida Vieitez

RELAÇÕES

Margarida Vieitez é especialista em mediação familiar, de conflitos e aconselhamento conjugal, e dedica-se há mais de 20 anos ao estudo e acompanhamento de conflitos de diversa ordem, nomeadamente, familiares, conjugais e divórcio. Detentora de seis pós graduações, entre as quais, em Mediação Familiar pela Universidade de Sevilha, em Mediação de Conflitos e, em Saúde Mental, ministrou vários cursos de Mediação Familiar no Instituto de Psicologia Aplicada, estando frequentemente presente em conferências e seminários. Autora de vários livros, dentro os quais, "O melhor da vida começa aos 40", "Sos Manipuladores" e "Pessoas que nos fazem Felizes" .